Tenho um professor que além de dar aulas de português é advogado. Umas duas ou três vezes ele manifestou sua insatisfação com o sistema de cotas nas universidades. Perguntado sobre isso, ele afirmou que não era uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas. Justificou-se com o argumento de que esta diferenciação dos cidadãos feria a lei, que garantia igualdade de direitos. Está lá na Constituição, documento máximo do País - disse ele. Concordo. Duas leis contraditórias não podem coexistir. Não entendo quase nada de Direito, mas aprendi o suficiente pra saber que todos são "iguais perante a lei." E concordo com ele duas vezes, quando ele afirma que não é "uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas". É a lei e pronto.
Mas como nunca estou satisfeita e a primeira pergunta sempre é uma introdução daquilo que realmente quero saber, questionei-o sobre o que ele achava dos juízes que não eram julgados por seus crimes, a partir do princípio da isonomia. Mas uma vez, meu interlocutor foi enfático, direto e firme em sua resposta. 1. Minha pergunta foi mal formulada: Não são os juízes que têm tratamento diferenciado, é o cargo. (?). O foro privilegiado é direito de quem exerce a função de juiz (parlamentares, também, entre outros sacanas.) Eu só quero saber se quem ocupa a porra desse cargo e veste aquela toga não é, antes disso, um cidadão. E sendo um cidadão, deveria responder por seus atos criminosos como qualquer outro. Aliás, deveria ter menos atenuante, pois sendo conhecedor das leis, sabia perfeitamente em que crime estava incorrendo. Isso sim é justo. Numa sociedade civilizada, se uma pessoa tem profundo conhecimento sobre arte marcias, envolve-se numa briga e acaba matando outra pessoa com um golpe que o agressor sabia ser letal, a justiça é implacável. O mesmo acontece com um médico que vai operar sob efeito de drogas e causa a morte do paciente.
Por que ainda existe o foro privilegiado nesse país? Simples. Quem tem mais bala na agulha para promover uma mudança radical nas leis? Sei, os cidadãos, claro. Será?
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Cuidado, machos jogando futebol!
Domingo passado, num programa esportivo, foi veiculada uma reportagem sobre a violência verbal ( e física) no futebol. Qualquer criatura que já tenha assistido pelo menos um tempo de uma partida de futebol, sabe que às vezes neguinho bota pra fuder (não literalmente) no adversário. É entrada maldosa, carrinho "criminoso", cotovelada, tapa, empurrão, uma baixaria só. Tem partida onde rola de tudo: karatê, judô, kung fu, boxe(!), menos futebol. Mas pior do que essa putaria toda são as justificativas usadas pelos técnicos (sim, aqueles que deveriam dar o exemplo) pra legitimar a falta de esportividade de seus comandados:
Ah! agora entendi tudo. Nos outros esportes, o povo libera dopamina em vez de adrenalina. Por isso eles ficam todos calminhos, calminhos. Deve ser a base de Dormonid que a seleção brasileira de volêi masculino conseguiu todos os pódios que já conquistou, sendo inclusive comandada por um técnico super tranquilo, sangue de barata...
A cena mais ridícula de toda a reportagem foi a de um técnico que dizia mais ou menos assim: "Como é rapaz, vai deixar o cara fazer o que quiser na tua frente? Vai lá e quebra a canela dele!"
Ele não poderia dizer: "Corre, rapaz, vai atrás dessa bola."? Com um palavrão também dava: "Puta que pariu, caralho, vai lá, rouba a porra dessa bola!" Mas, não, só jogar não vale. Tem que meter a porrada. Futebol é assim mesmo. Aquilo que jogam na Europa não é futebol. Apesar de ter muitos, muitos brasileiros jogando lá, na Europa não se joga futebol não. Porque futebol é um esporte tipicamente brasileiro, tem que ter agressão, baixaria e jogador suspenso por dopping sendo absolvido pra continuar a jogar o campeonato, ser o artilheiro e no final do ano dar uma entrevista exclusiva dizendo " como ele superou o momento mais difícil de sua carreira."
Eu tenho que impressão que tomando Dormonid é que não foi.
- "Futebol é assim mesmo: é esporte pra macho."
- "No futebol a adrenalina corre solta, não tem como você exigir do seu atleta uma cabeça fria toda hora, sangue de barata."
Ah! agora entendi tudo. Nos outros esportes, o povo libera dopamina em vez de adrenalina. Por isso eles ficam todos calminhos, calminhos. Deve ser a base de Dormonid que a seleção brasileira de volêi masculino conseguiu todos os pódios que já conquistou, sendo inclusive comandada por um técnico super tranquilo, sangue de barata...
A cena mais ridícula de toda a reportagem foi a de um técnico que dizia mais ou menos assim: "Como é rapaz, vai deixar o cara fazer o que quiser na tua frente? Vai lá e quebra a canela dele!"
Ele não poderia dizer: "Corre, rapaz, vai atrás dessa bola."? Com um palavrão também dava: "Puta que pariu, caralho, vai lá, rouba a porra dessa bola!" Mas, não, só jogar não vale. Tem que meter a porrada. Futebol é assim mesmo. Aquilo que jogam na Europa não é futebol. Apesar de ter muitos, muitos brasileiros jogando lá, na Europa não se joga futebol não. Porque futebol é um esporte tipicamente brasileiro, tem que ter agressão, baixaria e jogador suspenso por dopping sendo absolvido pra continuar a jogar o campeonato, ser o artilheiro e no final do ano dar uma entrevista exclusiva dizendo " como ele superou o momento mais difícil de sua carreira."
Eu tenho que impressão que tomando Dormonid é que não foi.
sábado, 4 de agosto de 2007
Indigne-se você também
Uma vez me disseram que eu era muito séria. Que dificilmente eu apenas "aceitava" as coisas. Que eu sempre tinha que analisar e criticar e fazer ressalvas. Isso, disseram que eu era crítica demais. Ácida. Eu não conseguia simplesmente aceitar o que me diziam. Na hora, eu fiquei meio puta. Não aceitei de imediato: isso deu razão à pessoa que teceu tal comentário. Eu tinha que analisar. E foi o que eu fiz. Pensei, pensei pra caralho. E cheguei a conclusão de que a pessoa estava certa. Não consigo mesmo ver tudo cor de rosa, sinto essa doida necessidade de olhar as coisas por diferentes ângulos, de saber o porquê e mais, entender esse porquê. Porque há coisas, amigo, que são completamente inaceitáveis.
Estava eu no trabalho, comemorando os últimos minutos de expediente, quando chega um "colega" de trabalho me chamando pra mostrar uma coisa no computador dele.
Ressalvas:
1. Não disse o que era.
2. Não perguntou se eu queria ver.
3. Não me alertou sobre o conteúdo do que eu estava prestes a ver.
Pois bem. O que ele queria me fazer ver, com tanta pressa e euforia eram umas fotos recebidas por e-mail que mostravam um acidente de carro ocorrido, acredito eu, numa estrada brasileira.
O arquivo era intitulado "Porque não dirigir bebâdo" e as fotos constituem uma das coisas mais horríveis e dantescas que eu já vi em toda a minha vida. A foto do carro amassado sendo "tragado" pelo caminhão já conseguia, por si só, embrulhar o estômago e o juízo de qualquer um. O grande pior de tudo é que a porra do arquivo não parava por aí e eu não sabia. Não vou descrever o que vi, não vou nem falar o que era. Mas não posso deixar de tornar pública toda minha ira e indignação.
Como é que alguém pode cometer tamanho ato de desrespeito e achar que é tudo "normal"? Como alguém pode dizer que eu levo tudo a sério, que eu não respeito as escolhas dos outros, quando essas escolhas incluem chocar, perturbar, denegrir um inocente? Não, não aceito. E critico mesmo.
Críticas e Dúvidas
1. Quem a besta fera do legista pensa que é pra deixar disponível na internet fotos com um conteúdo tão pesado?
2. Quem disse que o motorista do carro estava bêbado ou cometeu alguma imprudência?
3. O que diabos passa pela cabeça do bárbaro que repassa uma porra dum e-mail desse?
4. Será que ninguém pensa que a família da vítima pode chegar a ver aquelas malditas fotos? O que sentirão seus filhos, esposa, mãe? Cruel, muito cruel.
Aí vem um imbecil e diz com toda naturalidade: "Aff, mas tu também, hein? Faz confusão até por causa disso, um-email, uma besteira dessa?
Faço, faço sim. E no dia que eu deixar de fazer foi porque eu deixei de ser. Humana.
Estava eu no trabalho, comemorando os últimos minutos de expediente, quando chega um "colega" de trabalho me chamando pra mostrar uma coisa no computador dele.
Ressalvas:
1. Não disse o que era.
2. Não perguntou se eu queria ver.
3. Não me alertou sobre o conteúdo do que eu estava prestes a ver.
Pois bem. O que ele queria me fazer ver, com tanta pressa e euforia eram umas fotos recebidas por e-mail que mostravam um acidente de carro ocorrido, acredito eu, numa estrada brasileira.
O arquivo era intitulado "Porque não dirigir bebâdo" e as fotos constituem uma das coisas mais horríveis e dantescas que eu já vi em toda a minha vida. A foto do carro amassado sendo "tragado" pelo caminhão já conseguia, por si só, embrulhar o estômago e o juízo de qualquer um. O grande pior de tudo é que a porra do arquivo não parava por aí e eu não sabia. Não vou descrever o que vi, não vou nem falar o que era. Mas não posso deixar de tornar pública toda minha ira e indignação.
Como é que alguém pode cometer tamanho ato de desrespeito e achar que é tudo "normal"? Como alguém pode dizer que eu levo tudo a sério, que eu não respeito as escolhas dos outros, quando essas escolhas incluem chocar, perturbar, denegrir um inocente? Não, não aceito. E critico mesmo.
Críticas e Dúvidas
1. Quem a besta fera do legista pensa que é pra deixar disponível na internet fotos com um conteúdo tão pesado?
2. Quem disse que o motorista do carro estava bêbado ou cometeu alguma imprudência?
3. O que diabos passa pela cabeça do bárbaro que repassa uma porra dum e-mail desse?
4. Será que ninguém pensa que a família da vítima pode chegar a ver aquelas malditas fotos? O que sentirão seus filhos, esposa, mãe? Cruel, muito cruel.
Aí vem um imbecil e diz com toda naturalidade: "Aff, mas tu também, hein? Faz confusão até por causa disso, um-email, uma besteira dessa?
Faço, faço sim. E no dia que eu deixar de fazer foi porque eu deixei de ser. Humana.
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