terça-feira, 8 de abril de 2008

A vida fora do Éden

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Adorei o riso, a companhia, a criação. Fui amiga da amizade, parceira do afeto, irmã da determinação. Acreditei na fé, brinquei com a imaginação. Sempre tive um amor muito grande pela gente, pelo sentir, pelo fazer. Mas fui tola quando deveria ter sido atenta. Fui confiante quando deveria ter duvidado, perdoei quando deveria ter apenas desculpado. Eu tinha tudo pra ser feliz. Mas eu sou triste. E descobri que isso não é ruim. Não lamento "o tudo que poderia ter sido e não foi". De alguma maneira, eu sempre soube que teria de escolher entre o que é e o que eu gostaria que fosse.

E agora é só essa insaciável vontade de abarcar a inércia.

Está lá, nos Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos:

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


E em qualquer dicionário você encontra as definições de inércia e vontade.