domingo, 29 de julho de 2007

Relpime, plis!!!

Pergunta do Marcos Pasquim, ator da Rede Glóbulo de Televisão, no programa Altas Horas (29.07.07) para uma criatura que aparece neste dito programa para tirar dúvidas sobre sexo:

Eu queria saber se tem alguma relação do orgasmo da mulher com a gravidez... Se uma mulher pode ficar grávida sem orgasmo, ou se isso não tem nada a ver...

Não! era sério isso? eu juro por tudo quanto for mais sagrado que eu acho que foi tudo combinado.

ahahahhahahahahahahhahahaahahaha. Ô meu Deuso!

P.s: Não consegui gravar exatamente o que o moçoilo disse, mas garanto que a pergunta foi desse naipe...

Una noche*

O jantar era uma saco, ela não conhecia ninguém além do anfitrião e os pés doíam apertados naquele sapatinho emprestado. A cabeça estava longe, mais precisamente, no barzinho pé de chinelo do final da rua, onde os amigos tinham ficado. Sorte deles. E como se não bastasse, o que ela mais temia estava prestes a acontecer: desconhecidos se aproximavam. Iriam conversar sobre as mesmas coisas que se conversam nesses jantares: fatos. E ela detestava discutir fatos. Gostava de trocar idéias. Ou abraçar ideais. Preparou-se como pôde, mas não conseguiu evitar a fatalidade.

-Oi, eu sou a Pri, essa é a Dani e aquela é a Fá. Você é a Bete, né? Amiga do Finha?!
-É, sou eu. Muito prazer.

Saiu mais um sussurro do que uma confirmação. Era uma maneira não tão desagradável de não começar um papo indesejado. Mas as outras não deram trégua.

-E aí? O Rafinha disse que você cursava Letras, é isso? Eu faço Medicina, a Dani e a Fá fazem Direito.
-É, ele disse certo. É isso mesmo.

A tortura continuou.

-É, me diz uma coisa: quem se forma em Letras é o quê? Porque tipo assim: a Pri vai ser médica, eu e a Dani seremos advogadas, ou promotoras ainda não sabemos. Talvez juízas, ainda não sabemos. Mas e você? Vai ser o quê?

Chega! Aí já era demais. Ela sempre suportava com a máxima educação esse tipo de piadinha, mas os sapatos estavam apertados demais e o jeito foi deixar a resposta escapar, pra ver se aliviava o suplício.

-Escuta, ô Fátima. Ah, não é Fátima, é Rafaela? Tudo bem, tanto faz. Olha, Rafaela, você e a Daniela continuarão sendo vocês. A profissão que vocês vão seguir é uma outra história. e ainda tem que passar na prova da OAB, se não nada feito, certo? E a Priscila, é isso mesmo, Priscila? vai ser graduada em Medicina. Eu? Bom, eu vou prum programa de televisão ganhar um milhão de reais em cima de um otário que se formou em Medicina e ficou roubando remédio da farmácia do hospital. E pra começo de conversa, pra vocês, meu nome é Elisabete.

Pronto, tinha saído. Ela ficou esperando que as três começassem um ataque histérico e chamassem os seguranças para expulsá-la dali. De repente, as outras começaram a rir.

-Ah! Bete, você é mesmo uma graça. Piadista de primeira, bem que o Rafinha disse.

Levantaram e deixaram-na lá sozinha, tão rápido como tinham chegado.

-Eu ainda mato o Rafael. Foi tudo o que ela conseguiu pensar.

A única coisa que podia fazer era ir pro barzinho onde os amigos estavam. Saiu correndo direto pra lá.


*Baseado em fatos surreais.

Ironia

Era a bandeira da fidelidade em pessoa. Não aceitava a conduta das "arrasadoras de lares". Não conseguia conceber a idéia de que uma pessoa pudesse se apaixonar enquanto ainda mantinha um outro relacionamento. "Terminar um primeiro, depois, talvez, começar outro." Sempre diziam para ela: "Cuidado com tanta retidão!" Ela é que, talvez, nunca tinha se apaixonado. Achava que era assim, fácil, só dizer: Não, fulano é comprometido, não pode se apaixonar por mim... Até que um dia...

Bom, um dia ela se apaixonou. E ele era casado. Mas não tinha importância porque, segundo ela " a gente não manda no coração." Ela não teve culpa, ele também não. Apaixonaram-se e pronto. E afinal de contas, ele estava infeliz, a ex era um saco e tals... E eles se davam tão bem. Tinham sido feitos um para o outro. Destruidora de lares? Nã nã nim nã nã. Estava era construindo o dela.

É, amigo, pimenta no dos outros é refresco.

domingo, 22 de julho de 2007

Hydra maior

Querer uma coisa e não conseguir é horrível, pior ainda quando se tem a certeza de que você era merecedor e tinha feito tudo certinho pra conseguir e não chegou lá. Isso é foda. Machuca, dói mesmo, faz a pessoa se lamentar, maldizer-se, chamar-se de burra e incapaz. Tipo quando você estuda pra caralho o ano todo e não passa no vestibular. Ou quando se esforça ao máximo e não consegue "aquela" promoção no emprego. Sei como é. Muita coisa já "deu errado" na minha vida. Teve muito "quase". Ficar frustrado é uma conseqüência, acontece. Agora, ser frustrado é uma escolha. Questão de mediocridade. A criatura não conseguiu ser, ter ou fazer o que queria e culpa o mundo por isso. E ainda quer que todo mundo se foda junto com ela.

Tenho um professor que sempre chega com uma notícia ruim e depois de anunciá-la solta pérolas do tipo: "Acho é pouco." ou "Bem feito, mereceram." Ele é simplesmente incapaz de perceber que ele é um frustrado. Sempre que ele diz esse tipo de coisa, ratifica com uma babaquice maior ainda. Todo mundo sabe que ele é um frustrado, só ele que não percebeu ainda.
O frustrado é assim: se ele não conseguiu, ninguém mais pode, ninguém mais deve conseguir. Ele torce pela infelicidade alheia, seu sucesso se baseia por isso, e não por suas próprias conquistas. E ainda é megalomaníaco: tudo dele tem que ser melhor, maior - até uma dor de cabeça. Repare: se você disser a um frustrado que está com dor de dente, a última coisa que ele fará será lhe oferecer um remédio ou o telefone de um bom dentista; primeiro ele falará da dor de dente que ele teve na semana passada e que o deixou sem pensar direito durante dois dias consecutivos...

Criatura díficil de se aturar e impossível de se querer por perto, o frustrado. Ele acinzenta tudo ao redor dele, com sua capa de amargura e sua armadura de pessimismo. Suga qualquer sentimento de vitória e sensação de "que bom que eu consegui". Faz até você se perguntar se realmente seu êxito foi justo, quando você sabe que foi.

O frustrado é tão nocivo quanto o invejoso - a diferença entre eles é pequena, entretanto marcante. O invejoso sempre quer aquilo que não tem, até aquilo que ele não gosta. É só o prazer o de ter "o que é do outro". O frustrado não quer nada; ou melhor, quer. Que ninguém tenha ou consiga porra nenhuma.

sábado, 21 de julho de 2007

Eu amo, tu amas?

Cunhadex foi dia desses a um casamento e prestou bela homenagem aos noivos em seu blog. Bonito, bonito mesmo. Hoje foi minha vez. Quer dizer: fui a um casamento. A minha homenagem, no entanto, é ao AMOR. foi a 1ª vez que eu fui a um casório assim, com missa, recepção e tudo o mais... Porque eu nunca simpatizei com essas formalidades: padre, igreja e tal tal. Continuo com a mesma fé, ou mesma falta de fé. Mas é impossível não se emocionar, ou não achar lindo aquilo tudo que aconteceu ali.

O noivo, coitado, já entrou quase chorando. E não foi pela "vida de solteiro" que ele deitava fora. É porque ele ama. E aquela foi a maneira que ele encontrou de deixar claro o quanto aquela mulher era a única que ele queria: a sua "bem-amada". Simplesmente emocionante. "chorante".
Por vezes tentei minimizar ou até desprezar esses ritos sacramentais. Não o farei mais. É inútil. E mesmo que não fosse. É belo por demais quando alguém, mesmo se expondo, mesmo sendo diferente daquilo que sempre julgou ser, resolve ser diferente ou qualquer outra coisa, por causa do ser amado. Amar nunca foi errado, ou feio, ou diferente; sempre foi incompreendido. É o amor que nos move, que nos faz tentar sermos melhores do aquilo que somos, ou do que julgamos ser.
É o amor, ou amar, que nos levanta todo profano dia e faz com que tudo se torne inebriante. Até mesmo as rotinas mais sacais.

Amor ao amigo, amor ao irmão. Amor àquele ser que nos tira a paciência e nos devolve tudo. Amor. Amar.

domingo, 1 de julho de 2007

Save the cheerleader! Save the world!

Eu adoro seriados. Gosto de quase todos os que me apresentam: drama, comédia, romântico, de investigação, quase todos os gêneros mesmo, diferentemente do que acontece com filmes e livros. Na categoria favoritos, figuram Heroes e Smallville. Esse negócio de superpoderes, pessoas em lados opostos, mas sem o maniqueísmo de "bonzinhos de um lado e mauzinhos do outro" realmente me interessa. Sou tão viciada que já faltei aula pra assistir logo o último episódio de uma temporada e fiquei com um vazio gigante depois que acabou. E com ódio desse tal de to be continue que me faze esperar até quatro meses por uma continuação.

Eu sei que tem muita gente que nunca assistiu a um único episódio e odeia. Sem motivo e odeia. Tudo bem, tenho nada a ver com isso. Só fico puta da vida quando alguém vem criticar, esculachar esse tipo de programa, com argumentos idiotas e mal formados dizendo que "esse tipo de programa aliena e blá-blá-blá". Acabam ofendendo a mim e a todos os que assistem. AFFF, Santa ignorância, Batman!

O que aliena é a falta de vontade de pensar, de se informar, de descobrir. Alienado mesmo é aquele que é incapaz de produzir uma idéia. E antes que venha algum metidinho dizer que tudo o que pensamos é apenas uma idéia aperfeiçoada de alguma outra anterior, eu digo que já escutei isso de outro metidinho anterior e que se apenas reproduzimos, que pelo menos devemos "nos dar ao trabalho" de aperfeiçoar aquilo que já descobriram e pensaram. Aí é que mora toda a diferença.
Alienada, na minha modesta opinião, é a criatura que compra qualquer idéia, repete qualquer fala que ouviu num filme cult e acredita piamente que os fanáticos por seriados/novelas/Hq's não sacaram que é tudo uma cópia descarada e imensamente mais "pobre". Mimese da mimese.

Eu não acredito em destino, nesse negócio de que nossas vidas já estão traçadas e tudo o mais. Não acredito nesse lance de alma gêmea e cruz que se carrega toda uma vida. Também não acredito que não somos capazes de mudar completamente o rumo de nossas vidas. E não acredito que se somos capazes é porque isso já estava predestinado a acontecer.

Eu acredito no livre arbítrio, na individualidade e no poder que o homem tem sobre si mesmo. Que somos voz ativa nas decisões da nossa existência. É nisso que eu acredito. E, no entanto, meus seriados favoritos são justamente aqueles que focam o oposto. É muito comum a Martha Kent dizer ao Clark: It's your destiny, son! E eu repito: It's your destiny, Clark! É só ficção. E eu vivo a vida real. Ou aquela que mais se aproxima do que entendo por real. No meu cotidiano, as pessoas não saem voando, atravessam paredes ou quebram muros duplos de concreto apenas com um soco. Seria fantástico, não seria? Mas eu vejo a linha que separa o gostar do pensar. E ando sobre ela.

Pode ser que um dia eu mude de opinião a respeito disso tudo. Destino, predestinação, Heroes, Smallville, etc. Eu penso. Eu escuto os outros e respeito as diferenças. Tento entender os diversos pontos de vista. E admito, sempre, a possibilidade de mudar de idéia. Simplesmente porque eu tenho idéias (próprias) pra mudar.

Agora, deêm-me licença que eu preciso ver a quantas andam os preparativos pra próxima temporada de um seriado qualquer. Por favor, não digam nada ao García Marquez que eu estou lendo, que ele pode se chatear.