Tem gente que tem medo de mudança. Tem gente que adora mudança. Aqueles sofrem ante a qualquer suspiro de vento que aponte uma direção diferente. Esses se torcem e se contorcem para que as coisas não permaneçam como estão. Mesmo que as coisas estejam boas. Eu não sou nenhum dos dois opostos. Já fui ingênua a ponto de me desesperar porque algo tinha que mudar e já fui inconsequente querendo que tudo virasse de ponta à cabeça, sem ver nem pra quê. O lance é que não é necessário. Mudanças quando têm de acontecer, acontecem. Nada a ver com "destino" ou "Maktub, tava escrito". E também, nada de conformismo. Se não gostou, vai lá e dá um jeito. Mas eu quero falar agora das mudanças boas e necessárias.
A long, long time ago, eu batia pé: Sou assim e pronto! Não quero e ponto! E, muitas vezes, isso só fudia com as minhas relações, fossem elas profissionais, pessoais ou os escambais. Porque só precisava eu baixar um pouco a crista e ver que eu estava errada. E que minha neura de não mudar, só se traduzia numa coisa: medo. Já aconteceu de eu mudar de opinião e não assumir porque não queria evidenciar uma mudança de postura. Ridículo. Depois de muito tapa na cara, e muita coisa perdida, eu cheguei a conclusão que mudar poder ser legal e, às vezes, é a atitude mais sensata a se fazer. Do que adianta alguém muito próximo encher a boca pra dizer: "ATati? Não, ela não falaria isso."? Quando eu sei que eu faria, ontem não, mas hoje, quem sabe? Talvez sim.
The thing is: não tenho mais medo. Medo que pensem que sou fútil, ou que não tenho personalidade, ou que não sei o que quero. Eu sei sim o que eu quero. Olhar pro espelho todo dia e não enjoar de olhar pra cara de uma criatura sebosa que não muda de opinião simplesmente porque não tem idéia pra mudar.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Os mínimos decibéis
Era uma maravilha de pessoa. Sempre lhe disseram que era especial. E ela sabia disso. Mas ela sabia o porquê. As pessoas não. A verdade é que tinha uma audição fantástica. Desde pequena. Ouvia o menor sussuro. Com o passar dos anos, desenvolveu mais ainda essa incrível habilidade. Começou a desprezar os outros sentidos. Não dava mais valor ao olfato, ao tato, muito menos à visão. Dizia que as imagens enganavam; uma palavra uma vez dita, não mudava. Não tinha ângulo diferente que desse jeito. Cresceu, estudou, brincou, foi feliz. Até que um dia se apaixonou e casou.
O marido, depois de alguns anos, já não conseguia esconder que achava estranho a mulher não notar as surpresinhas diárias que ele lhe fazia. Ela só parecia estar atenta quando ele lhe falava ao pé do ouvido. Precisava ouvir o marido dizer que a amava. E assim foram levando. Vieram os filhos, e ela não os via crescer. O tempo foi passando, as crianças cresceram, o marido e os amigos já não aguentavam mais ter que falar o tempo todo. E ela ia aguçando cada vez mais a audição em detrimento dos outros sentidos. Enxergava, mas nada via. Cheirava, mas não distinguia um odor do outro, era incapaz de perceber a textura de uma pele, um tecido, um bicho. Gosto então, não sabia mais o que era. Uma mulher que mais parecia um ouvido ambulante.
Até que um dia, num acidente doméstico (nunca explicado) ficou surda. Seu mundo acabou a partir dali. O mundo não tinha mais graça, a vida perdera todo o sentido. Não adiantaram os monólogos intermináveis do marido ao pé da cama, nem a cantoria espalhafatosa dos filhos. Uma tarde, na mesma hora em que se sentava todos os dias pra ouvir seu cd favorito, tomou duas caixas de barbitúricos, sentou na mesma poltrona em frente ao aparelho de som, fechou os olhos e esperou a música chegar para ouvi-la eternamente.
O marido, depois de alguns anos, já não conseguia esconder que achava estranho a mulher não notar as surpresinhas diárias que ele lhe fazia. Ela só parecia estar atenta quando ele lhe falava ao pé do ouvido. Precisava ouvir o marido dizer que a amava. E assim foram levando. Vieram os filhos, e ela não os via crescer. O tempo foi passando, as crianças cresceram, o marido e os amigos já não aguentavam mais ter que falar o tempo todo. E ela ia aguçando cada vez mais a audição em detrimento dos outros sentidos. Enxergava, mas nada via. Cheirava, mas não distinguia um odor do outro, era incapaz de perceber a textura de uma pele, um tecido, um bicho. Gosto então, não sabia mais o que era. Uma mulher que mais parecia um ouvido ambulante.
Até que um dia, num acidente doméstico (nunca explicado) ficou surda. Seu mundo acabou a partir dali. O mundo não tinha mais graça, a vida perdera todo o sentido. Não adiantaram os monólogos intermináveis do marido ao pé da cama, nem a cantoria espalhafatosa dos filhos. Uma tarde, na mesma hora em que se sentava todos os dias pra ouvir seu cd favorito, tomou duas caixas de barbitúricos, sentou na mesma poltrona em frente ao aparelho de som, fechou os olhos e esperou a música chegar para ouvi-la eternamente.
sábado, 13 de outubro de 2007
Rumo aos vinte e tantos...
Agora é light. Só queria registrar minha alegria por ter tido uma festa de aniversário realmente inesquecível. Nem perguntem porque; muita coisa só minha, que eu quero ser egoísta e deixar só comigo. =D. Gostaria de colocar uma foto com todo mundo que estava presente, mas essa foto simplesmente não existe! Vai essa mesmo, que ela resume bem como começou e como terminou a festa.
O olho sempre maior do que a barriga
Fazia tempo, tempo, tempo mesmo que eu queria me empanturrar de ler ou de assistir filmes. Ultimamente, tinha lido apenas por obrigação trabalhista ou estudantil e não tinha assistido a nada. Então, até que enfim, apareceu esse bendito feriado e eu pude saciar a fome de pelo menos uma das coisas que eu amo: cinema. O problema é que eu tive congestão. A barriga dói...
Logo após o almoço, inicia-se a session com Diamante de Sangue. Já tinha ouvido muito burburinho a respeito da tal película e tals, e não esperava muito. Aliás, nem discuto aqui qualidade ou coisa técnica. Num vou mentir: disso eu não manjo coisíssima nenhuma. Mas se tem algo indiscutível é dor que se sente depois de ver aquele filme. Há tempos eu não me sentia tão vil e pobre; sinto uma dor no peito até agora, e juro: não sei se terei coragem um dia na minha vida de ostentar um diamante no meu dedo. Não sei se conseguirei acreditar que mais nenhum Dia Vanty será arrancado brutalmente de sua família, nem se outro Solomon Vanty terá que ser humilhado, preso e sofrer tanto para reestrurar essa mesma família só para que uma boçalzinha que nem eu se sinta "mais bonita" porque "diamantes são eternos". A dor da perda também o é.
Vou ao cinema, então. O filme? Tropa de Elite. É, o negócio hoje não foi brincadeira. Se Diamante é um soco no estômago, Tropa é um tapa na cara. Cai por terra o maniqueísmo ilusório que ajudava a nublar as verdades que eu conhecia e insistia em negar. Não há mocinhos de um lado e bandidos de outro. Estamos todos na mesma hora e lugar errados. Apesar de estar de alma lavada sabendo que a ficção, mesmo que de vez em quando, valoriza características como honestidade e repúdio à corrupção, eu lamento e não consigo parar de pensar que a vida real é mais forte e o que ela traz não é bom.
Volta pra casa, janto una apetitosa macarronada! e emendo com O Labirinto do Fauno. Aí, fudeu. Esgotei toda a minha capacidade de sentir e pensar, por agora... É muita coisa ao mesmo tempo. Gulhermo Del Toro é uma fela. Assistir ao Labirinto só fez extrapolar (pela n-ésima vez) todo o ódio mortal que eu sempre senti por qualquer regime ditatorial, e como ele faz isso? Uma fábula?! Bom, não sei, já disse que sou uma égua pra avaliar as coisas por esses prismas técnicos nomeados e cheios de frescura. Acho que nunca mais vou esquecer Ofelia.
Vai ver é isso, também eu, assim como eles, levei um tiro. Só não sabia ainda. Talvez porque, diferentemente deles, já perdi a inocência.
Logo após o almoço, inicia-se a session com Diamante de Sangue. Já tinha ouvido muito burburinho a respeito da tal película e tals, e não esperava muito. Aliás, nem discuto aqui qualidade ou coisa técnica. Num vou mentir: disso eu não manjo coisíssima nenhuma. Mas se tem algo indiscutível é dor que se sente depois de ver aquele filme. Há tempos eu não me sentia tão vil e pobre; sinto uma dor no peito até agora, e juro: não sei se terei coragem um dia na minha vida de ostentar um diamante no meu dedo. Não sei se conseguirei acreditar que mais nenhum Dia Vanty será arrancado brutalmente de sua família, nem se outro Solomon Vanty terá que ser humilhado, preso e sofrer tanto para reestrurar essa mesma família só para que uma boçalzinha que nem eu se sinta "mais bonita" porque "diamantes são eternos". A dor da perda também o é.
Vou ao cinema, então. O filme? Tropa de Elite. É, o negócio hoje não foi brincadeira. Se Diamante é um soco no estômago, Tropa é um tapa na cara. Cai por terra o maniqueísmo ilusório que ajudava a nublar as verdades que eu conhecia e insistia em negar. Não há mocinhos de um lado e bandidos de outro. Estamos todos na mesma hora e lugar errados. Apesar de estar de alma lavada sabendo que a ficção, mesmo que de vez em quando, valoriza características como honestidade e repúdio à corrupção, eu lamento e não consigo parar de pensar que a vida real é mais forte e o que ela traz não é bom.
Volta pra casa, janto una apetitosa macarronada! e emendo com O Labirinto do Fauno. Aí, fudeu. Esgotei toda a minha capacidade de sentir e pensar, por agora... É muita coisa ao mesmo tempo. Gulhermo Del Toro é uma fela. Assistir ao Labirinto só fez extrapolar (pela n-ésima vez) todo o ódio mortal que eu sempre senti por qualquer regime ditatorial, e como ele faz isso? Uma fábula?! Bom, não sei, já disse que sou uma égua pra avaliar as coisas por esses prismas técnicos nomeados e cheios de frescura. Acho que nunca mais vou esquecer Ofelia.
Vai ver é isso, também eu, assim como eles, levei um tiro. Só não sabia ainda. Talvez porque, diferentemente deles, já perdi a inocência.
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