Meu celular quase nunca toca por dois motivos: 1. quase ninguém liga pra mim e 2. quando ligam, meu celular está no silencioso, pois eu detesto toque de telefone. Pois bem, estava eu retornando ao meu querido lar após um dia palhaço de trabalho, quando o solitário aparelhinho começa a pedir atenção, e pior: eu tinha esquecido de colocar no modo vibra call. Segue abaixo o roteiro da conversa. Entre parênteses, estão as legendas. Julguei-as necessárias para ajudar no entendimento da leitura.
- Oi, Cunhada! (Não tinha dito ainda, mas era Cunhada quem me ligava. Também por isso atendi.)
- ....
- Alô, Cunhada?!
- Oi! Tô aqui. Tu tá onde?
- Tô na topic.
- Ai, que "luxo". (O som péssimo, eu não entendi porra nenhuma.)
- É, é um lixo mesmo.
- Eu disse "luxo", louca, mas vá, deixe. Tu vem pra cá amanhã? ("Cá" era a casa dela.)
- Sim, sim, amanhã vou.
- Pois traz o Gabo. Tu já terminou de ler?
- Já, já, terminei sábado mesmo. (Hoje é segunda, eu estava numa topic lotada, o motorista ouvia uma música insuportável, eu falava alto acreditando que Cunhada mal me ouvia e várias pessoas olhavam pra mim ao mesmo tempo.)
- Pois traz amanhã, pra eu poder terminar, tá? Aquele.
- Ah! "As putas tristes?" (Nesse momento, os olhos das senhoras sentadas a minha frente quase pulam.)
- É!
- Tá certo. Aí eu aproveito e pego a "Eva Luna", né? (Sentia-me no circo dos horrores. Pensei que a mulher que rezava um terço ia arremessar a Bíblia dela em mim.)
- É. Beijo!
- Beijo.
Não sei porque as pessoas insistem em escutar a conversa das outras...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Por que contam mentiras às criancinhas?
Na nova campanha publicitária da C & A, a de Natal, aparecem três lindas criancinhas discutindo uma hipótese sobre como o Papai Noel ficou rico. Ah! Não sabia? Segundo as crianças, ele é rico, fófis! Pois pra dar essa ruma de presente todo ano?! A idéia deles é a seguinte: Santa jogou muito futebol na Itália e na Espanha. Veja que argumento mais plausível. Fiquei encantada com o prodígio que é a infância de hoje. No meu tempo, a gente se limitava a sonhar e a acreditar que o bom(?) velhinho viria...
Como eu não sou mais criança e nunca recebi, na minha tenra idade, uma visita sequer do Noel, fico à vontade para expor minhas conjecturas a cerca da fonte não declarada de (tanta) renda do Velho.
Pode ser que há long long time ago, Noel não fosse tão bonzinho como é hoje. Ele era jovem, talvez fosse forte e tivesse um rosto "apresentável". Por que não ser, então, traficante de renas ou outro bicho do tipo? Talvez ele fosse um desalmado que maltratava os bichinhos e lucrava com a venda clandestina dos alegres animaizinhos.
Não acredita nisso. Hipótese fraquinha? A do meninozinho do comercial consegue ser menos ridícula?
Pois bem. Santa bem que pode ter sido patrulha de chaminés. Corrupto, aliviava pros ladrões que molhavam a mão dele. Fácil fazer dinheiro assim: ladrão tem em todo canto e corrupto também. Depois ele se arrependeu e como forma de se redimir, resolveu dar presentes nos finais de ano entrando pela chaminé. Coisa do tempo da ladroagem.
Ainda parece muito irreal pra você?
Tudo bem! Quero ver você resistir a essa! Noel era político. Rá! Te peguei, não foi? Veja bem: UM SUJEITO QUE VEIO NÃO SEI DE ONDE, NÃO SE SABE PRA ONDE VAI, SÓ DISTRIBUI PRESENTINHOS PRA QUEM JÁ TÁ MUITO BEM ARRANJADO E SÓ APARECE EM FIM DE TEMPORADA?! Ah! Agora você vai chorar, né? Quem mandou obedecer e ficar bonzinho pra agradar o velho? Ele só queria sua carta, seu besta, porque além de tudo ele é carente.
Como eu não sou mais criança e nunca recebi, na minha tenra idade, uma visita sequer do Noel, fico à vontade para expor minhas conjecturas a cerca da fonte não declarada de (tanta) renda do Velho.
Pode ser que há long long time ago, Noel não fosse tão bonzinho como é hoje. Ele era jovem, talvez fosse forte e tivesse um rosto "apresentável". Por que não ser, então, traficante de renas ou outro bicho do tipo? Talvez ele fosse um desalmado que maltratava os bichinhos e lucrava com a venda clandestina dos alegres animaizinhos.
Não acredita nisso. Hipótese fraquinha? A do meninozinho do comercial consegue ser menos ridícula?
Pois bem. Santa bem que pode ter sido patrulha de chaminés. Corrupto, aliviava pros ladrões que molhavam a mão dele. Fácil fazer dinheiro assim: ladrão tem em todo canto e corrupto também. Depois ele se arrependeu e como forma de se redimir, resolveu dar presentes nos finais de ano entrando pela chaminé. Coisa do tempo da ladroagem.
Ainda parece muito irreal pra você?
Tudo bem! Quero ver você resistir a essa! Noel era político. Rá! Te peguei, não foi? Veja bem: UM SUJEITO QUE VEIO NÃO SEI DE ONDE, NÃO SE SABE PRA ONDE VAI, SÓ DISTRIBUI PRESENTINHOS PRA QUEM JÁ TÁ MUITO BEM ARRANJADO E SÓ APARECE EM FIM DE TEMPORADA?! Ah! Agora você vai chorar, né? Quem mandou obedecer e ficar bonzinho pra agradar o velho? Ele só queria sua carta, seu besta, porque além de tudo ele é carente.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Alta ajuda
Não gosto muito desse lance de listinha por vários motivos (que não vem ao caso). Evito, sempre que possível, absorver o conteúdo das terríveis "listas definitivas de todos os tempos." Mas hoje me atrevo a pedir que os povos de todo o mundo me dêem cartaz e vejam a minha própria seleção: a das coisas imprescindíveis de se fazer em um ônibus, ou em qualquer outro transporte coletivo, para se manter a paz dentro e fora dele.
Coisas imprescindíveis de se fazer em um ônibus, ou em qualquer outro transporte coletivo, para se manter a paz dentro e fora dele.
1. Seja "educado"
Peça licença, não sapateie em cima dos pés das pessoas, dê bom dia ao cobrador. Aprenda a andar de salto, acomode sua mochila num lugar mais agradável do que a cara de outro passageiro. Não se esfregue em ninguém. Não acotovele ninguém. Se tiver mau hálito, fique com a boca fechada. Isso não dói e ajuda a manter a harmonia entre as pessoas.
2. Seja "limpinho"
Tome banho antes de sair de casa, escove os dentes. Não use a desculpa de que seu perfume acabou: um bom banho ajuda BASTANTE. E, por favor, evite sempre sempre sempre a flatulência. Soltar pum em público já é uma desgraça, num ônibus lotado então é carimbo pro inferno.
3. Seja "inteligente"
Use essa cabeçona que você tem e perceba que ficar na porta do ônibus ou parado nos degraus quando ainda há espaço para passar - mesmo que ele seja minuscúlo - só põe sua vida em perigo, além de atrapalhar um outro tanto de isauras que estão atrasadas para chegar na senzala, assim como você.
4. Seja "precavido"
Quando estiver conversando com um amigo ou conhecido, mantenha um tom de voz normal. Ou melhor: fale baixo. Por que "precavido"? Já pensou se você está colocando as fofocas em dia ou esculhambando seu chefe e um não-amigo escuta? Fudeu, né? Melhor prevenir.
5. Não tem número 5. Já disse que não gosto de lista, principalmente quando ela é grande. E essa não é definitiva. Aceito sugestões.
Até o próximo cambão! =(
domingo, 18 de novembro de 2007
Sempre um prazer
Leio sempre que posso, tudo, qualquer coisa. Não costumo implicar com capas nem com títulos. Só não leio auto-ajuda, de ninguém, de nenhuma espécie. Tenho direito a sustentar esse preconceito. E também sustentava o sonho de ser escritora. Mas um dia desses, no meio de uma dessas leituras, eu soube que García Márquez decidiu ser escritor depois de ler A Metamorfose, de Kafka.Eu já tinha lido alguns livros do Gabo. Mas depois de ler Cem anos de solidão, o sonho caiu por terra. É muito, muito cacife.
Mentira, menina!
Estava eu zapeando canais de tv ao lado de meu irmão caçula, quando vemos o ser que não se explica, Supla. Lógico que eu interrompi a mudança de canais. "Espera" - disse - "Isso aí eu quero ver." Ele (meu irmão) já sabia o porquê. Adoro rir das coisas mais esdruxúlas. Mas não é que a surpresa maior não vem do caríssimo Supla?! Disputando com ele no programa Qual é a música, estava a assistente de palco (?) Ellen Ganzaroli - não sei se é assim que escreve e dessa vez não vou jogar no Google pra saber como é. Ela não merece tanto trabalho. - com quem Sílvio Santos inicia rápido e inesquecível diálogo. Segue abaixo o roteiro da desgraça:"Ellen, você está no Gugu há quanto tempo?"
"Há 7 anos, Sílvio."
"Então você entrou lá com o quê, 18?"
"Nãoooooo, com 22."
Sílvio, fingindo estar surpreso:
"Então, você tem 28 anos?
Ellen, rindo de nervosa, põe a mão na boca e:
"Ah, num vô falá!"
Eu juro que eu não sei quem é mais jumento. 22 + 7 = 28? Tudo bem, se considerarmos que ela tem até o dia 31 de dezembro, Sílvio ainda escapa. Mas ela jura mesmo que ninguém sabe fazer conta?!
Céus... Depois a galera fica louca quando eu digo que TV aberta no domingo é uma desgraça.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Coragem, criatura!
Tem gente que tem medo de mudança. Tem gente que adora mudança. Aqueles sofrem ante a qualquer suspiro de vento que aponte uma direção diferente. Esses se torcem e se contorcem para que as coisas não permaneçam como estão. Mesmo que as coisas estejam boas. Eu não sou nenhum dos dois opostos. Já fui ingênua a ponto de me desesperar porque algo tinha que mudar e já fui inconsequente querendo que tudo virasse de ponta à cabeça, sem ver nem pra quê. O lance é que não é necessário. Mudanças quando têm de acontecer, acontecem. Nada a ver com "destino" ou "Maktub, tava escrito". E também, nada de conformismo. Se não gostou, vai lá e dá um jeito. Mas eu quero falar agora das mudanças boas e necessárias.
A long, long time ago, eu batia pé: Sou assim e pronto! Não quero e ponto! E, muitas vezes, isso só fudia com as minhas relações, fossem elas profissionais, pessoais ou os escambais. Porque só precisava eu baixar um pouco a crista e ver que eu estava errada. E que minha neura de não mudar, só se traduzia numa coisa: medo. Já aconteceu de eu mudar de opinião e não assumir porque não queria evidenciar uma mudança de postura. Ridículo. Depois de muito tapa na cara, e muita coisa perdida, eu cheguei a conclusão que mudar poder ser legal e, às vezes, é a atitude mais sensata a se fazer. Do que adianta alguém muito próximo encher a boca pra dizer: "ATati? Não, ela não falaria isso."? Quando eu sei que eu faria, ontem não, mas hoje, quem sabe? Talvez sim.
The thing is: não tenho mais medo. Medo que pensem que sou fútil, ou que não tenho personalidade, ou que não sei o que quero. Eu sei sim o que eu quero. Olhar pro espelho todo dia e não enjoar de olhar pra cara de uma criatura sebosa que não muda de opinião simplesmente porque não tem idéia pra mudar.
A long, long time ago, eu batia pé: Sou assim e pronto! Não quero e ponto! E, muitas vezes, isso só fudia com as minhas relações, fossem elas profissionais, pessoais ou os escambais. Porque só precisava eu baixar um pouco a crista e ver que eu estava errada. E que minha neura de não mudar, só se traduzia numa coisa: medo. Já aconteceu de eu mudar de opinião e não assumir porque não queria evidenciar uma mudança de postura. Ridículo. Depois de muito tapa na cara, e muita coisa perdida, eu cheguei a conclusão que mudar poder ser legal e, às vezes, é a atitude mais sensata a se fazer. Do que adianta alguém muito próximo encher a boca pra dizer: "ATati? Não, ela não falaria isso."? Quando eu sei que eu faria, ontem não, mas hoje, quem sabe? Talvez sim.
The thing is: não tenho mais medo. Medo que pensem que sou fútil, ou que não tenho personalidade, ou que não sei o que quero. Eu sei sim o que eu quero. Olhar pro espelho todo dia e não enjoar de olhar pra cara de uma criatura sebosa que não muda de opinião simplesmente porque não tem idéia pra mudar.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Os mínimos decibéis
Era uma maravilha de pessoa. Sempre lhe disseram que era especial. E ela sabia disso. Mas ela sabia o porquê. As pessoas não. A verdade é que tinha uma audição fantástica. Desde pequena. Ouvia o menor sussuro. Com o passar dos anos, desenvolveu mais ainda essa incrível habilidade. Começou a desprezar os outros sentidos. Não dava mais valor ao olfato, ao tato, muito menos à visão. Dizia que as imagens enganavam; uma palavra uma vez dita, não mudava. Não tinha ângulo diferente que desse jeito. Cresceu, estudou, brincou, foi feliz. Até que um dia se apaixonou e casou.
O marido, depois de alguns anos, já não conseguia esconder que achava estranho a mulher não notar as surpresinhas diárias que ele lhe fazia. Ela só parecia estar atenta quando ele lhe falava ao pé do ouvido. Precisava ouvir o marido dizer que a amava. E assim foram levando. Vieram os filhos, e ela não os via crescer. O tempo foi passando, as crianças cresceram, o marido e os amigos já não aguentavam mais ter que falar o tempo todo. E ela ia aguçando cada vez mais a audição em detrimento dos outros sentidos. Enxergava, mas nada via. Cheirava, mas não distinguia um odor do outro, era incapaz de perceber a textura de uma pele, um tecido, um bicho. Gosto então, não sabia mais o que era. Uma mulher que mais parecia um ouvido ambulante.
Até que um dia, num acidente doméstico (nunca explicado) ficou surda. Seu mundo acabou a partir dali. O mundo não tinha mais graça, a vida perdera todo o sentido. Não adiantaram os monólogos intermináveis do marido ao pé da cama, nem a cantoria espalhafatosa dos filhos. Uma tarde, na mesma hora em que se sentava todos os dias pra ouvir seu cd favorito, tomou duas caixas de barbitúricos, sentou na mesma poltrona em frente ao aparelho de som, fechou os olhos e esperou a música chegar para ouvi-la eternamente.
O marido, depois de alguns anos, já não conseguia esconder que achava estranho a mulher não notar as surpresinhas diárias que ele lhe fazia. Ela só parecia estar atenta quando ele lhe falava ao pé do ouvido. Precisava ouvir o marido dizer que a amava. E assim foram levando. Vieram os filhos, e ela não os via crescer. O tempo foi passando, as crianças cresceram, o marido e os amigos já não aguentavam mais ter que falar o tempo todo. E ela ia aguçando cada vez mais a audição em detrimento dos outros sentidos. Enxergava, mas nada via. Cheirava, mas não distinguia um odor do outro, era incapaz de perceber a textura de uma pele, um tecido, um bicho. Gosto então, não sabia mais o que era. Uma mulher que mais parecia um ouvido ambulante.
Até que um dia, num acidente doméstico (nunca explicado) ficou surda. Seu mundo acabou a partir dali. O mundo não tinha mais graça, a vida perdera todo o sentido. Não adiantaram os monólogos intermináveis do marido ao pé da cama, nem a cantoria espalhafatosa dos filhos. Uma tarde, na mesma hora em que se sentava todos os dias pra ouvir seu cd favorito, tomou duas caixas de barbitúricos, sentou na mesma poltrona em frente ao aparelho de som, fechou os olhos e esperou a música chegar para ouvi-la eternamente.
sábado, 13 de outubro de 2007
Rumo aos vinte e tantos...
Agora é light. Só queria registrar minha alegria por ter tido uma festa de aniversário realmente inesquecível. Nem perguntem porque; muita coisa só minha, que eu quero ser egoísta e deixar só comigo. =D. Gostaria de colocar uma foto com todo mundo que estava presente, mas essa foto simplesmente não existe! Vai essa mesmo, que ela resume bem como começou e como terminou a festa.
O olho sempre maior do que a barriga
Fazia tempo, tempo, tempo mesmo que eu queria me empanturrar de ler ou de assistir filmes. Ultimamente, tinha lido apenas por obrigação trabalhista ou estudantil e não tinha assistido a nada. Então, até que enfim, apareceu esse bendito feriado e eu pude saciar a fome de pelo menos uma das coisas que eu amo: cinema. O problema é que eu tive congestão. A barriga dói...
Logo após o almoço, inicia-se a session com Diamante de Sangue. Já tinha ouvido muito burburinho a respeito da tal película e tals, e não esperava muito. Aliás, nem discuto aqui qualidade ou coisa técnica. Num vou mentir: disso eu não manjo coisíssima nenhuma. Mas se tem algo indiscutível é dor que se sente depois de ver aquele filme. Há tempos eu não me sentia tão vil e pobre; sinto uma dor no peito até agora, e juro: não sei se terei coragem um dia na minha vida de ostentar um diamante no meu dedo. Não sei se conseguirei acreditar que mais nenhum Dia Vanty será arrancado brutalmente de sua família, nem se outro Solomon Vanty terá que ser humilhado, preso e sofrer tanto para reestrurar essa mesma família só para que uma boçalzinha que nem eu se sinta "mais bonita" porque "diamantes são eternos". A dor da perda também o é.
Vou ao cinema, então. O filme? Tropa de Elite. É, o negócio hoje não foi brincadeira. Se Diamante é um soco no estômago, Tropa é um tapa na cara. Cai por terra o maniqueísmo ilusório que ajudava a nublar as verdades que eu conhecia e insistia em negar. Não há mocinhos de um lado e bandidos de outro. Estamos todos na mesma hora e lugar errados. Apesar de estar de alma lavada sabendo que a ficção, mesmo que de vez em quando, valoriza características como honestidade e repúdio à corrupção, eu lamento e não consigo parar de pensar que a vida real é mais forte e o que ela traz não é bom.
Volta pra casa, janto una apetitosa macarronada! e emendo com O Labirinto do Fauno. Aí, fudeu. Esgotei toda a minha capacidade de sentir e pensar, por agora... É muita coisa ao mesmo tempo. Gulhermo Del Toro é uma fela. Assistir ao Labirinto só fez extrapolar (pela n-ésima vez) todo o ódio mortal que eu sempre senti por qualquer regime ditatorial, e como ele faz isso? Uma fábula?! Bom, não sei, já disse que sou uma égua pra avaliar as coisas por esses prismas técnicos nomeados e cheios de frescura. Acho que nunca mais vou esquecer Ofelia.
Vai ver é isso, também eu, assim como eles, levei um tiro. Só não sabia ainda. Talvez porque, diferentemente deles, já perdi a inocência.
Logo após o almoço, inicia-se a session com Diamante de Sangue. Já tinha ouvido muito burburinho a respeito da tal película e tals, e não esperava muito. Aliás, nem discuto aqui qualidade ou coisa técnica. Num vou mentir: disso eu não manjo coisíssima nenhuma. Mas se tem algo indiscutível é dor que se sente depois de ver aquele filme. Há tempos eu não me sentia tão vil e pobre; sinto uma dor no peito até agora, e juro: não sei se terei coragem um dia na minha vida de ostentar um diamante no meu dedo. Não sei se conseguirei acreditar que mais nenhum Dia Vanty será arrancado brutalmente de sua família, nem se outro Solomon Vanty terá que ser humilhado, preso e sofrer tanto para reestrurar essa mesma família só para que uma boçalzinha que nem eu se sinta "mais bonita" porque "diamantes são eternos". A dor da perda também o é.
Vou ao cinema, então. O filme? Tropa de Elite. É, o negócio hoje não foi brincadeira. Se Diamante é um soco no estômago, Tropa é um tapa na cara. Cai por terra o maniqueísmo ilusório que ajudava a nublar as verdades que eu conhecia e insistia em negar. Não há mocinhos de um lado e bandidos de outro. Estamos todos na mesma hora e lugar errados. Apesar de estar de alma lavada sabendo que a ficção, mesmo que de vez em quando, valoriza características como honestidade e repúdio à corrupção, eu lamento e não consigo parar de pensar que a vida real é mais forte e o que ela traz não é bom.
Volta pra casa, janto una apetitosa macarronada! e emendo com O Labirinto do Fauno. Aí, fudeu. Esgotei toda a minha capacidade de sentir e pensar, por agora... É muita coisa ao mesmo tempo. Gulhermo Del Toro é uma fela. Assistir ao Labirinto só fez extrapolar (pela n-ésima vez) todo o ódio mortal que eu sempre senti por qualquer regime ditatorial, e como ele faz isso? Uma fábula?! Bom, não sei, já disse que sou uma égua pra avaliar as coisas por esses prismas técnicos nomeados e cheios de frescura. Acho que nunca mais vou esquecer Ofelia.
Vai ver é isso, também eu, assim como eles, levei um tiro. Só não sabia ainda. Talvez porque, diferentemente deles, já perdi a inocência.
sábado, 29 de setembro de 2007
Em casa, agora
YUUPP!!! Que saudade, que saudade do meu blog! Eu já estava ficando triste de ter que entrar na net e não postar. Virou apego, gosto, vontade de ver as coisinhas que escrevo aqui, pra deleite próprio (uh, o ego!) ou pra passar o tempo dos poucos amigos que me dão o crédito de ter seu tempo gasto passando os olhos por aqui.
Trabalho, muito trabalho foi o que me afastou. Quem disse que o trabalho enobrece o homem nunca botou um prego numa barra de sabão, é uma besta. O trabalho cansa o homem e ponto. Quase fiquei sem tempo pra fazer a maioria das coisas que eu realmente gosto e me enobrecem: bater um papo com a galera, ficar com a família, conversar com meu namorado, dormir e acordar tarde, discutir sobre besteira, meter o pau na política e na polícia e etc. Já estava quase tendo uma crise de stress... Argh! que norro.
Nesse ínterim - adoro essa palavra - rolou um monte de coisa na minha vida, na vida de quem eu amo, na nossa tribo tupiniquim e "around the world" e eu simplesmente não podia pensar sobre. trabalho, trabalho, trabalho. Essa semana, quando perguntada sobre onde iria comemorar meu aniversário, eu não sabia calcular exatamente daí a quantos dias seria o happy day porque eu não sabia que dia era. Só sabia que na manhã seguinte eu teria de entregar todo o material que peguei pra revisar pronto. trabalho, trabalho, trabalho.
Quase reprovo na faculdade, passei de estagiária a contratada, trabalhei fim de semana e feriado, não estive presente na vida de ninguém, muito menos na minha. Não tive direito a ressaca completa, gastei dinheiro, ganhei dinheiro, acordei cedo, comi o "pão do suor do meu rosto..." E quer saber? Não me sinto nem um grama a mais nobre. Sinto-me mais pobre, isso sim. De afeto, de riso, de descontração.
C - H - E - G - A !!!!!! Acabou a tempestade lá no trampo e eu posso voltar a ser normal. Bem que eu queria ter decidido quando ter mais ou menos volume de trabalho, mas... O que importa é que eu voltei.
É bom estar de volta ao nosso lugar.
Trabalho, muito trabalho foi o que me afastou. Quem disse que o trabalho enobrece o homem nunca botou um prego numa barra de sabão, é uma besta. O trabalho cansa o homem e ponto. Quase fiquei sem tempo pra fazer a maioria das coisas que eu realmente gosto e me enobrecem: bater um papo com a galera, ficar com a família, conversar com meu namorado, dormir e acordar tarde, discutir sobre besteira, meter o pau na política e na polícia e etc. Já estava quase tendo uma crise de stress... Argh! que norro.
Nesse ínterim - adoro essa palavra - rolou um monte de coisa na minha vida, na vida de quem eu amo, na nossa tribo tupiniquim e "around the world" e eu simplesmente não podia pensar sobre. trabalho, trabalho, trabalho. Essa semana, quando perguntada sobre onde iria comemorar meu aniversário, eu não sabia calcular exatamente daí a quantos dias seria o happy day porque eu não sabia que dia era. Só sabia que na manhã seguinte eu teria de entregar todo o material que peguei pra revisar pronto. trabalho, trabalho, trabalho.
Quase reprovo na faculdade, passei de estagiária a contratada, trabalhei fim de semana e feriado, não estive presente na vida de ninguém, muito menos na minha. Não tive direito a ressaca completa, gastei dinheiro, ganhei dinheiro, acordei cedo, comi o "pão do suor do meu rosto..." E quer saber? Não me sinto nem um grama a mais nobre. Sinto-me mais pobre, isso sim. De afeto, de riso, de descontração.
C - H - E - G - A !!!!!! Acabou a tempestade lá no trampo e eu posso voltar a ser normal. Bem que eu queria ter decidido quando ter mais ou menos volume de trabalho, mas... O que importa é que eu voltei.
É bom estar de volta ao nosso lugar.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
A lei é dura, mas às vezes nem é lei
Tenho um professor que além de dar aulas de português é advogado. Umas duas ou três vezes ele manifestou sua insatisfação com o sistema de cotas nas universidades. Perguntado sobre isso, ele afirmou que não era uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas. Justificou-se com o argumento de que esta diferenciação dos cidadãos feria a lei, que garantia igualdade de direitos. Está lá na Constituição, documento máximo do País - disse ele. Concordo. Duas leis contraditórias não podem coexistir. Não entendo quase nada de Direito, mas aprendi o suficiente pra saber que todos são "iguais perante a lei." E concordo com ele duas vezes, quando ele afirma que não é "uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas". É a lei e pronto.
Mas como nunca estou satisfeita e a primeira pergunta sempre é uma introdução daquilo que realmente quero saber, questionei-o sobre o que ele achava dos juízes que não eram julgados por seus crimes, a partir do princípio da isonomia. Mas uma vez, meu interlocutor foi enfático, direto e firme em sua resposta. 1. Minha pergunta foi mal formulada: Não são os juízes que têm tratamento diferenciado, é o cargo. (?). O foro privilegiado é direito de quem exerce a função de juiz (parlamentares, também, entre outros sacanas.) Eu só quero saber se quem ocupa a porra desse cargo e veste aquela toga não é, antes disso, um cidadão. E sendo um cidadão, deveria responder por seus atos criminosos como qualquer outro. Aliás, deveria ter menos atenuante, pois sendo conhecedor das leis, sabia perfeitamente em que crime estava incorrendo. Isso sim é justo. Numa sociedade civilizada, se uma pessoa tem profundo conhecimento sobre arte marcias, envolve-se numa briga e acaba matando outra pessoa com um golpe que o agressor sabia ser letal, a justiça é implacável. O mesmo acontece com um médico que vai operar sob efeito de drogas e causa a morte do paciente.
Por que ainda existe o foro privilegiado nesse país? Simples. Quem tem mais bala na agulha para promover uma mudança radical nas leis? Sei, os cidadãos, claro. Será?
Mas como nunca estou satisfeita e a primeira pergunta sempre é uma introdução daquilo que realmente quero saber, questionei-o sobre o que ele achava dos juízes que não eram julgados por seus crimes, a partir do princípio da isonomia. Mas uma vez, meu interlocutor foi enfático, direto e firme em sua resposta. 1. Minha pergunta foi mal formulada: Não são os juízes que têm tratamento diferenciado, é o cargo. (?). O foro privilegiado é direito de quem exerce a função de juiz (parlamentares, também, entre outros sacanas.) Eu só quero saber se quem ocupa a porra desse cargo e veste aquela toga não é, antes disso, um cidadão. E sendo um cidadão, deveria responder por seus atos criminosos como qualquer outro. Aliás, deveria ter menos atenuante, pois sendo conhecedor das leis, sabia perfeitamente em que crime estava incorrendo. Isso sim é justo. Numa sociedade civilizada, se uma pessoa tem profundo conhecimento sobre arte marcias, envolve-se numa briga e acaba matando outra pessoa com um golpe que o agressor sabia ser letal, a justiça é implacável. O mesmo acontece com um médico que vai operar sob efeito de drogas e causa a morte do paciente.
Por que ainda existe o foro privilegiado nesse país? Simples. Quem tem mais bala na agulha para promover uma mudança radical nas leis? Sei, os cidadãos, claro. Será?
Cuidado, machos jogando futebol!
Domingo passado, num programa esportivo, foi veiculada uma reportagem sobre a violência verbal ( e física) no futebol. Qualquer criatura que já tenha assistido pelo menos um tempo de uma partida de futebol, sabe que às vezes neguinho bota pra fuder (não literalmente) no adversário. É entrada maldosa, carrinho "criminoso", cotovelada, tapa, empurrão, uma baixaria só. Tem partida onde rola de tudo: karatê, judô, kung fu, boxe(!), menos futebol. Mas pior do que essa putaria toda são as justificativas usadas pelos técnicos (sim, aqueles que deveriam dar o exemplo) pra legitimar a falta de esportividade de seus comandados:
Ah! agora entendi tudo. Nos outros esportes, o povo libera dopamina em vez de adrenalina. Por isso eles ficam todos calminhos, calminhos. Deve ser a base de Dormonid que a seleção brasileira de volêi masculino conseguiu todos os pódios que já conquistou, sendo inclusive comandada por um técnico super tranquilo, sangue de barata...
A cena mais ridícula de toda a reportagem foi a de um técnico que dizia mais ou menos assim: "Como é rapaz, vai deixar o cara fazer o que quiser na tua frente? Vai lá e quebra a canela dele!"
Ele não poderia dizer: "Corre, rapaz, vai atrás dessa bola."? Com um palavrão também dava: "Puta que pariu, caralho, vai lá, rouba a porra dessa bola!" Mas, não, só jogar não vale. Tem que meter a porrada. Futebol é assim mesmo. Aquilo que jogam na Europa não é futebol. Apesar de ter muitos, muitos brasileiros jogando lá, na Europa não se joga futebol não. Porque futebol é um esporte tipicamente brasileiro, tem que ter agressão, baixaria e jogador suspenso por dopping sendo absolvido pra continuar a jogar o campeonato, ser o artilheiro e no final do ano dar uma entrevista exclusiva dizendo " como ele superou o momento mais difícil de sua carreira."
Eu tenho que impressão que tomando Dormonid é que não foi.
- "Futebol é assim mesmo: é esporte pra macho."
- "No futebol a adrenalina corre solta, não tem como você exigir do seu atleta uma cabeça fria toda hora, sangue de barata."
Ah! agora entendi tudo. Nos outros esportes, o povo libera dopamina em vez de adrenalina. Por isso eles ficam todos calminhos, calminhos. Deve ser a base de Dormonid que a seleção brasileira de volêi masculino conseguiu todos os pódios que já conquistou, sendo inclusive comandada por um técnico super tranquilo, sangue de barata...
A cena mais ridícula de toda a reportagem foi a de um técnico que dizia mais ou menos assim: "Como é rapaz, vai deixar o cara fazer o que quiser na tua frente? Vai lá e quebra a canela dele!"
Ele não poderia dizer: "Corre, rapaz, vai atrás dessa bola."? Com um palavrão também dava: "Puta que pariu, caralho, vai lá, rouba a porra dessa bola!" Mas, não, só jogar não vale. Tem que meter a porrada. Futebol é assim mesmo. Aquilo que jogam na Europa não é futebol. Apesar de ter muitos, muitos brasileiros jogando lá, na Europa não se joga futebol não. Porque futebol é um esporte tipicamente brasileiro, tem que ter agressão, baixaria e jogador suspenso por dopping sendo absolvido pra continuar a jogar o campeonato, ser o artilheiro e no final do ano dar uma entrevista exclusiva dizendo " como ele superou o momento mais difícil de sua carreira."
Eu tenho que impressão que tomando Dormonid é que não foi.
sábado, 4 de agosto de 2007
Indigne-se você também
Uma vez me disseram que eu era muito séria. Que dificilmente eu apenas "aceitava" as coisas. Que eu sempre tinha que analisar e criticar e fazer ressalvas. Isso, disseram que eu era crítica demais. Ácida. Eu não conseguia simplesmente aceitar o que me diziam. Na hora, eu fiquei meio puta. Não aceitei de imediato: isso deu razão à pessoa que teceu tal comentário. Eu tinha que analisar. E foi o que eu fiz. Pensei, pensei pra caralho. E cheguei a conclusão de que a pessoa estava certa. Não consigo mesmo ver tudo cor de rosa, sinto essa doida necessidade de olhar as coisas por diferentes ângulos, de saber o porquê e mais, entender esse porquê. Porque há coisas, amigo, que são completamente inaceitáveis.
Estava eu no trabalho, comemorando os últimos minutos de expediente, quando chega um "colega" de trabalho me chamando pra mostrar uma coisa no computador dele.
Ressalvas:
1. Não disse o que era.
2. Não perguntou se eu queria ver.
3. Não me alertou sobre o conteúdo do que eu estava prestes a ver.
Pois bem. O que ele queria me fazer ver, com tanta pressa e euforia eram umas fotos recebidas por e-mail que mostravam um acidente de carro ocorrido, acredito eu, numa estrada brasileira.
O arquivo era intitulado "Porque não dirigir bebâdo" e as fotos constituem uma das coisas mais horríveis e dantescas que eu já vi em toda a minha vida. A foto do carro amassado sendo "tragado" pelo caminhão já conseguia, por si só, embrulhar o estômago e o juízo de qualquer um. O grande pior de tudo é que a porra do arquivo não parava por aí e eu não sabia. Não vou descrever o que vi, não vou nem falar o que era. Mas não posso deixar de tornar pública toda minha ira e indignação.
Como é que alguém pode cometer tamanho ato de desrespeito e achar que é tudo "normal"? Como alguém pode dizer que eu levo tudo a sério, que eu não respeito as escolhas dos outros, quando essas escolhas incluem chocar, perturbar, denegrir um inocente? Não, não aceito. E critico mesmo.
Críticas e Dúvidas
1. Quem a besta fera do legista pensa que é pra deixar disponível na internet fotos com um conteúdo tão pesado?
2. Quem disse que o motorista do carro estava bêbado ou cometeu alguma imprudência?
3. O que diabos passa pela cabeça do bárbaro que repassa uma porra dum e-mail desse?
4. Será que ninguém pensa que a família da vítima pode chegar a ver aquelas malditas fotos? O que sentirão seus filhos, esposa, mãe? Cruel, muito cruel.
Aí vem um imbecil e diz com toda naturalidade: "Aff, mas tu também, hein? Faz confusão até por causa disso, um-email, uma besteira dessa?
Faço, faço sim. E no dia que eu deixar de fazer foi porque eu deixei de ser. Humana.
Estava eu no trabalho, comemorando os últimos minutos de expediente, quando chega um "colega" de trabalho me chamando pra mostrar uma coisa no computador dele.
Ressalvas:
1. Não disse o que era.
2. Não perguntou se eu queria ver.
3. Não me alertou sobre o conteúdo do que eu estava prestes a ver.
Pois bem. O que ele queria me fazer ver, com tanta pressa e euforia eram umas fotos recebidas por e-mail que mostravam um acidente de carro ocorrido, acredito eu, numa estrada brasileira.
O arquivo era intitulado "Porque não dirigir bebâdo" e as fotos constituem uma das coisas mais horríveis e dantescas que eu já vi em toda a minha vida. A foto do carro amassado sendo "tragado" pelo caminhão já conseguia, por si só, embrulhar o estômago e o juízo de qualquer um. O grande pior de tudo é que a porra do arquivo não parava por aí e eu não sabia. Não vou descrever o que vi, não vou nem falar o que era. Mas não posso deixar de tornar pública toda minha ira e indignação.
Como é que alguém pode cometer tamanho ato de desrespeito e achar que é tudo "normal"? Como alguém pode dizer que eu levo tudo a sério, que eu não respeito as escolhas dos outros, quando essas escolhas incluem chocar, perturbar, denegrir um inocente? Não, não aceito. E critico mesmo.
Críticas e Dúvidas
1. Quem a besta fera do legista pensa que é pra deixar disponível na internet fotos com um conteúdo tão pesado?
2. Quem disse que o motorista do carro estava bêbado ou cometeu alguma imprudência?
3. O que diabos passa pela cabeça do bárbaro que repassa uma porra dum e-mail desse?
4. Será que ninguém pensa que a família da vítima pode chegar a ver aquelas malditas fotos? O que sentirão seus filhos, esposa, mãe? Cruel, muito cruel.
Aí vem um imbecil e diz com toda naturalidade: "Aff, mas tu também, hein? Faz confusão até por causa disso, um-email, uma besteira dessa?
Faço, faço sim. E no dia que eu deixar de fazer foi porque eu deixei de ser. Humana.
domingo, 29 de julho de 2007
Relpime, plis!!!
Pergunta do Marcos Pasquim, ator da Rede Glóbulo de Televisão, no programa Altas Horas (29.07.07) para uma criatura que aparece neste dito programa para tirar dúvidas sobre sexo:
Eu queria saber se tem alguma relação do orgasmo da mulher com a gravidez... Se uma mulher pode ficar grávida sem orgasmo, ou se isso não tem nada a ver...
Não! era sério isso? eu juro por tudo quanto for mais sagrado que eu acho que foi tudo combinado.
ahahahhahahahahahahhahahaahahaha. Ô meu Deuso!
P.s: Não consegui gravar exatamente o que o moçoilo disse, mas garanto que a pergunta foi desse naipe...
Eu queria saber se tem alguma relação do orgasmo da mulher com a gravidez... Se uma mulher pode ficar grávida sem orgasmo, ou se isso não tem nada a ver...
Não! era sério isso? eu juro por tudo quanto for mais sagrado que eu acho que foi tudo combinado.
ahahahhahahahahahahhahahaahahaha. Ô meu Deuso!
P.s: Não consegui gravar exatamente o que o moçoilo disse, mas garanto que a pergunta foi desse naipe...
Una noche*
O jantar era uma saco, ela não conhecia ninguém além do anfitrião e os pés doíam apertados naquele sapatinho emprestado. A cabeça estava longe, mais precisamente, no barzinho pé de chinelo do final da rua, onde os amigos tinham ficado. Sorte deles. E como se não bastasse, o que ela mais temia estava prestes a acontecer: desconhecidos se aproximavam. Iriam conversar sobre as mesmas coisas que se conversam nesses jantares: fatos. E ela detestava discutir fatos. Gostava de trocar idéias. Ou abraçar ideais. Preparou-se como pôde, mas não conseguiu evitar a fatalidade.
-Oi, eu sou a Pri, essa é a Dani e aquela é a Fá. Você é a Bete, né? Amiga do Finha?!
-É, sou eu. Muito prazer.
Saiu mais um sussurro do que uma confirmação. Era uma maneira não tão desagradável de não começar um papo indesejado. Mas as outras não deram trégua.
-E aí? O Rafinha disse que você cursava Letras, é isso? Eu faço Medicina, a Dani e a Fá fazem Direito.
-É, ele disse certo. É isso mesmo.
A tortura continuou.
-É, me diz uma coisa: quem se forma em Letras é o quê? Porque tipo assim: a Pri vai ser médica, eu e a Dani seremos advogadas, ou promotoras ainda não sabemos. Talvez juízas, ainda não sabemos. Mas e você? Vai ser o quê?
Chega! Aí já era demais. Ela sempre suportava com a máxima educação esse tipo de piadinha, mas os sapatos estavam apertados demais e o jeito foi deixar a resposta escapar, pra ver se aliviava o suplício.
-Escuta, ô Fátima. Ah, não é Fátima, é Rafaela? Tudo bem, tanto faz. Olha, Rafaela, você e a Daniela continuarão sendo vocês. A profissão que vocês vão seguir é uma outra história. e ainda tem que passar na prova da OAB, se não nada feito, certo? E a Priscila, é isso mesmo, Priscila? vai ser graduada em Medicina. Eu? Bom, eu vou prum programa de televisão ganhar um milhão de reais em cima de um otário que se formou em Medicina e ficou roubando remédio da farmácia do hospital. E pra começo de conversa, pra vocês, meu nome é Elisabete.
Pronto, tinha saído. Ela ficou esperando que as três começassem um ataque histérico e chamassem os seguranças para expulsá-la dali. De repente, as outras começaram a rir.
-Ah! Bete, você é mesmo uma graça. Piadista de primeira, bem que o Rafinha disse.
Levantaram e deixaram-na lá sozinha, tão rápido como tinham chegado.
-Eu ainda mato o Rafael. Foi tudo o que ela conseguiu pensar.
A única coisa que podia fazer era ir pro barzinho onde os amigos estavam. Saiu correndo direto pra lá.
*Baseado em fatos surreais.
-Oi, eu sou a Pri, essa é a Dani e aquela é a Fá. Você é a Bete, né? Amiga do Finha?!
-É, sou eu. Muito prazer.
Saiu mais um sussurro do que uma confirmação. Era uma maneira não tão desagradável de não começar um papo indesejado. Mas as outras não deram trégua.
-E aí? O Rafinha disse que você cursava Letras, é isso? Eu faço Medicina, a Dani e a Fá fazem Direito.
-É, ele disse certo. É isso mesmo.
A tortura continuou.
-É, me diz uma coisa: quem se forma em Letras é o quê? Porque tipo assim: a Pri vai ser médica, eu e a Dani seremos advogadas, ou promotoras ainda não sabemos. Talvez juízas, ainda não sabemos. Mas e você? Vai ser o quê?
Chega! Aí já era demais. Ela sempre suportava com a máxima educação esse tipo de piadinha, mas os sapatos estavam apertados demais e o jeito foi deixar a resposta escapar, pra ver se aliviava o suplício.
-Escuta, ô Fátima. Ah, não é Fátima, é Rafaela? Tudo bem, tanto faz. Olha, Rafaela, você e a Daniela continuarão sendo vocês. A profissão que vocês vão seguir é uma outra história. e ainda tem que passar na prova da OAB, se não nada feito, certo? E a Priscila, é isso mesmo, Priscila? vai ser graduada em Medicina. Eu? Bom, eu vou prum programa de televisão ganhar um milhão de reais em cima de um otário que se formou em Medicina e ficou roubando remédio da farmácia do hospital. E pra começo de conversa, pra vocês, meu nome é Elisabete.
Pronto, tinha saído. Ela ficou esperando que as três começassem um ataque histérico e chamassem os seguranças para expulsá-la dali. De repente, as outras começaram a rir.
-Ah! Bete, você é mesmo uma graça. Piadista de primeira, bem que o Rafinha disse.
Levantaram e deixaram-na lá sozinha, tão rápido como tinham chegado.
-Eu ainda mato o Rafael. Foi tudo o que ela conseguiu pensar.
A única coisa que podia fazer era ir pro barzinho onde os amigos estavam. Saiu correndo direto pra lá.
*Baseado em fatos surreais.
Ironia
Era a bandeira da fidelidade em pessoa. Não aceitava a conduta das "arrasadoras de lares". Não conseguia conceber a idéia de que uma pessoa pudesse se apaixonar enquanto ainda mantinha um outro relacionamento. "Terminar um primeiro, depois, talvez, começar outro." Sempre diziam para ela: "Cuidado com tanta retidão!" Ela é que, talvez, nunca tinha se apaixonado. Achava que era assim, fácil, só dizer: Não, fulano é comprometido, não pode se apaixonar por mim... Até que um dia...
Bom, um dia ela se apaixonou. E ele era casado. Mas não tinha importância porque, segundo ela " a gente não manda no coração." Ela não teve culpa, ele também não. Apaixonaram-se e pronto. E afinal de contas, ele estava infeliz, a ex era um saco e tals... E eles se davam tão bem. Tinham sido feitos um para o outro. Destruidora de lares? Nã nã nim nã nã. Estava era construindo o dela.
É, amigo, pimenta no dos outros é refresco.
Bom, um dia ela se apaixonou. E ele era casado. Mas não tinha importância porque, segundo ela " a gente não manda no coração." Ela não teve culpa, ele também não. Apaixonaram-se e pronto. E afinal de contas, ele estava infeliz, a ex era um saco e tals... E eles se davam tão bem. Tinham sido feitos um para o outro. Destruidora de lares? Nã nã nim nã nã. Estava era construindo o dela.
É, amigo, pimenta no dos outros é refresco.
domingo, 22 de julho de 2007
Hydra maior
Querer uma coisa e não conseguir é horrível, pior ainda quando se tem a certeza de que você era merecedor e tinha feito tudo certinho pra conseguir e não chegou lá. Isso é foda. Machuca, dói mesmo, faz a pessoa se lamentar, maldizer-se, chamar-se de burra e incapaz. Tipo quando você estuda pra caralho o ano todo e não passa no vestibular. Ou quando se esforça ao máximo e não consegue "aquela" promoção no emprego. Sei como é. Muita coisa já "deu errado" na minha vida. Teve muito "quase". Ficar frustrado é uma conseqüência, acontece. Agora, ser frustrado é uma escolha. Questão de mediocridade. A criatura não conseguiu ser, ter ou fazer o que queria e culpa o mundo por isso. E ainda quer que todo mundo se foda junto com ela.
Tenho um professor que sempre chega com uma notícia ruim e depois de anunciá-la solta pérolas do tipo: "Acho é pouco." ou "Bem feito, mereceram." Ele é simplesmente incapaz de perceber que ele é um frustrado. Sempre que ele diz esse tipo de coisa, ratifica com uma babaquice maior ainda. Todo mundo sabe que ele é um frustrado, só ele que não percebeu ainda.
O frustrado é assim: se ele não conseguiu, ninguém mais pode, ninguém mais deve conseguir. Ele torce pela infelicidade alheia, seu sucesso se baseia por isso, e não por suas próprias conquistas. E ainda é megalomaníaco: tudo dele tem que ser melhor, maior - até uma dor de cabeça. Repare: se você disser a um frustrado que está com dor de dente, a última coisa que ele fará será lhe oferecer um remédio ou o telefone de um bom dentista; primeiro ele falará da dor de dente que ele teve na semana passada e que o deixou sem pensar direito durante dois dias consecutivos...
Criatura díficil de se aturar e impossível de se querer por perto, o frustrado. Ele acinzenta tudo ao redor dele, com sua capa de amargura e sua armadura de pessimismo. Suga qualquer sentimento de vitória e sensação de "que bom que eu consegui". Faz até você se perguntar se realmente seu êxito foi justo, quando você sabe que foi.
O frustrado é tão nocivo quanto o invejoso - a diferença entre eles é pequena, entretanto marcante. O invejoso sempre quer aquilo que não tem, até aquilo que ele não gosta. É só o prazer o de ter "o que é do outro". O frustrado não quer nada; ou melhor, quer. Que ninguém tenha ou consiga porra nenhuma.
Tenho um professor que sempre chega com uma notícia ruim e depois de anunciá-la solta pérolas do tipo: "Acho é pouco." ou "Bem feito, mereceram." Ele é simplesmente incapaz de perceber que ele é um frustrado. Sempre que ele diz esse tipo de coisa, ratifica com uma babaquice maior ainda. Todo mundo sabe que ele é um frustrado, só ele que não percebeu ainda.
O frustrado é assim: se ele não conseguiu, ninguém mais pode, ninguém mais deve conseguir. Ele torce pela infelicidade alheia, seu sucesso se baseia por isso, e não por suas próprias conquistas. E ainda é megalomaníaco: tudo dele tem que ser melhor, maior - até uma dor de cabeça. Repare: se você disser a um frustrado que está com dor de dente, a última coisa que ele fará será lhe oferecer um remédio ou o telefone de um bom dentista; primeiro ele falará da dor de dente que ele teve na semana passada e que o deixou sem pensar direito durante dois dias consecutivos...
Criatura díficil de se aturar e impossível de se querer por perto, o frustrado. Ele acinzenta tudo ao redor dele, com sua capa de amargura e sua armadura de pessimismo. Suga qualquer sentimento de vitória e sensação de "que bom que eu consegui". Faz até você se perguntar se realmente seu êxito foi justo, quando você sabe que foi.
O frustrado é tão nocivo quanto o invejoso - a diferença entre eles é pequena, entretanto marcante. O invejoso sempre quer aquilo que não tem, até aquilo que ele não gosta. É só o prazer o de ter "o que é do outro". O frustrado não quer nada; ou melhor, quer. Que ninguém tenha ou consiga porra nenhuma.
sábado, 21 de julho de 2007
Eu amo, tu amas?
Cunhadex foi dia desses a um casamento e prestou bela homenagem aos noivos em seu blog. Bonito, bonito mesmo. Hoje foi minha vez. Quer dizer: fui a um casamento. A minha homenagem, no entanto, é ao AMOR. foi a 1ª vez que eu fui a um casório assim, com missa, recepção e tudo o mais... Porque eu nunca simpatizei com essas formalidades: padre, igreja e tal tal. Continuo com a mesma fé, ou mesma falta de fé. Mas é impossível não se emocionar, ou não achar lindo aquilo tudo que aconteceu ali.
O noivo, coitado, já entrou quase chorando. E não foi pela "vida de solteiro" que ele deitava fora. É porque ele ama. E aquela foi a maneira que ele encontrou de deixar claro o quanto aquela mulher era a única que ele queria: a sua "bem-amada". Simplesmente emocionante. "chorante".
Por vezes tentei minimizar ou até desprezar esses ritos sacramentais. Não o farei mais. É inútil. E mesmo que não fosse. É belo por demais quando alguém, mesmo se expondo, mesmo sendo diferente daquilo que sempre julgou ser, resolve ser diferente ou qualquer outra coisa, por causa do ser amado. Amar nunca foi errado, ou feio, ou diferente; sempre foi incompreendido. É o amor que nos move, que nos faz tentar sermos melhores do aquilo que somos, ou do que julgamos ser.
É o amor, ou amar, que nos levanta todo profano dia e faz com que tudo se torne inebriante. Até mesmo as rotinas mais sacais.
Amor ao amigo, amor ao irmão. Amor àquele ser que nos tira a paciência e nos devolve tudo. Amor. Amar.
O noivo, coitado, já entrou quase chorando. E não foi pela "vida de solteiro" que ele deitava fora. É porque ele ama. E aquela foi a maneira que ele encontrou de deixar claro o quanto aquela mulher era a única que ele queria: a sua "bem-amada". Simplesmente emocionante. "chorante".
Por vezes tentei minimizar ou até desprezar esses ritos sacramentais. Não o farei mais. É inútil. E mesmo que não fosse. É belo por demais quando alguém, mesmo se expondo, mesmo sendo diferente daquilo que sempre julgou ser, resolve ser diferente ou qualquer outra coisa, por causa do ser amado. Amar nunca foi errado, ou feio, ou diferente; sempre foi incompreendido. É o amor que nos move, que nos faz tentar sermos melhores do aquilo que somos, ou do que julgamos ser.
É o amor, ou amar, que nos levanta todo profano dia e faz com que tudo se torne inebriante. Até mesmo as rotinas mais sacais.
Amor ao amigo, amor ao irmão. Amor àquele ser que nos tira a paciência e nos devolve tudo. Amor. Amar.
domingo, 1 de julho de 2007
Save the cheerleader! Save the world!
Eu adoro seriados. Gosto de quase todos os que me apresentam: drama, comédia, romântico, de investigação, quase todos os gêneros mesmo, diferentemente do que acontece com filmes e livros. Na categoria favoritos, figuram Heroes e Smallville. Esse negócio de superpoderes, pessoas em lados opostos, mas sem o maniqueísmo de "bonzinhos de um lado e mauzinhos do outro" realmente me interessa. Sou tão viciada que já faltei aula pra assistir logo o último episódio de uma temporada e fiquei com um vazio gigante depois que acabou. E com ódio desse tal de to be continue que me faze esperar até quatro meses por uma continuação.
Eu sei que tem muita gente que nunca assistiu a um único episódio e odeia. Sem motivo e odeia. Tudo bem, tenho nada a ver com isso. Só fico puta da vida quando alguém vem criticar, esculachar esse tipo de programa, com argumentos idiotas e mal formados dizendo que "esse tipo de programa aliena e blá-blá-blá". Acabam ofendendo a mim e a todos os que assistem. AFFF, Santa ignorância, Batman!
O que aliena é a falta de vontade de pensar, de se informar, de descobrir. Alienado mesmo é aquele que é incapaz de produzir uma idéia. E antes que venha algum metidinho dizer que tudo o que pensamos é apenas uma idéia aperfeiçoada de alguma outra anterior, eu digo que já escutei isso de outro metidinho anterior e que se apenas reproduzimos, que pelo menos devemos "nos dar ao trabalho" de aperfeiçoar aquilo que já descobriram e pensaram. Aí é que mora toda a diferença.
Alienada, na minha modesta opinião, é a criatura que compra qualquer idéia, repete qualquer fala que ouviu num filme cult e acredita piamente que os fanáticos por seriados/novelas/Hq's não sacaram que é tudo uma cópia descarada e imensamente mais "pobre". Mimese da mimese.
Eu não acredito em destino, nesse negócio de que nossas vidas já estão traçadas e tudo o mais. Não acredito nesse lance de alma gêmea e cruz que se carrega toda uma vida. Também não acredito que não somos capazes de mudar completamente o rumo de nossas vidas. E não acredito que se somos capazes é porque isso já estava predestinado a acontecer.
Eu acredito no livre arbítrio, na individualidade e no poder que o homem tem sobre si mesmo. Que somos voz ativa nas decisões da nossa existência. É nisso que eu acredito. E, no entanto, meus seriados favoritos são justamente aqueles que focam o oposto. É muito comum a Martha Kent dizer ao Clark: It's your destiny, son! E eu repito: It's your destiny, Clark! É só ficção. E eu vivo a vida real. Ou aquela que mais se aproxima do que entendo por real. No meu cotidiano, as pessoas não saem voando, atravessam paredes ou quebram muros duplos de concreto apenas com um soco. Seria fantástico, não seria? Mas eu vejo a linha que separa o gostar do pensar. E ando sobre ela.
Pode ser que um dia eu mude de opinião a respeito disso tudo. Destino, predestinação, Heroes, Smallville, etc. Eu penso. Eu escuto os outros e respeito as diferenças. Tento entender os diversos pontos de vista. E admito, sempre, a possibilidade de mudar de idéia. Simplesmente porque eu tenho idéias (próprias) pra mudar.
Agora, deêm-me licença que eu preciso ver a quantas andam os preparativos pra próxima temporada de um seriado qualquer. Por favor, não digam nada ao García Marquez que eu estou lendo, que ele pode se chatear.
Eu sei que tem muita gente que nunca assistiu a um único episódio e odeia. Sem motivo e odeia. Tudo bem, tenho nada a ver com isso. Só fico puta da vida quando alguém vem criticar, esculachar esse tipo de programa, com argumentos idiotas e mal formados dizendo que "esse tipo de programa aliena e blá-blá-blá". Acabam ofendendo a mim e a todos os que assistem. AFFF, Santa ignorância, Batman!
O que aliena é a falta de vontade de pensar, de se informar, de descobrir. Alienado mesmo é aquele que é incapaz de produzir uma idéia. E antes que venha algum metidinho dizer que tudo o que pensamos é apenas uma idéia aperfeiçoada de alguma outra anterior, eu digo que já escutei isso de outro metidinho anterior e que se apenas reproduzimos, que pelo menos devemos "nos dar ao trabalho" de aperfeiçoar aquilo que já descobriram e pensaram. Aí é que mora toda a diferença.
Alienada, na minha modesta opinião, é a criatura que compra qualquer idéia, repete qualquer fala que ouviu num filme cult e acredita piamente que os fanáticos por seriados/novelas/Hq's não sacaram que é tudo uma cópia descarada e imensamente mais "pobre". Mimese da mimese.
Eu não acredito em destino, nesse negócio de que nossas vidas já estão traçadas e tudo o mais. Não acredito nesse lance de alma gêmea e cruz que se carrega toda uma vida. Também não acredito que não somos capazes de mudar completamente o rumo de nossas vidas. E não acredito que se somos capazes é porque isso já estava predestinado a acontecer.
Eu acredito no livre arbítrio, na individualidade e no poder que o homem tem sobre si mesmo. Que somos voz ativa nas decisões da nossa existência. É nisso que eu acredito. E, no entanto, meus seriados favoritos são justamente aqueles que focam o oposto. É muito comum a Martha Kent dizer ao Clark: It's your destiny, son! E eu repito: It's your destiny, Clark! É só ficção. E eu vivo a vida real. Ou aquela que mais se aproxima do que entendo por real. No meu cotidiano, as pessoas não saem voando, atravessam paredes ou quebram muros duplos de concreto apenas com um soco. Seria fantástico, não seria? Mas eu vejo a linha que separa o gostar do pensar. E ando sobre ela.
Pode ser que um dia eu mude de opinião a respeito disso tudo. Destino, predestinação, Heroes, Smallville, etc. Eu penso. Eu escuto os outros e respeito as diferenças. Tento entender os diversos pontos de vista. E admito, sempre, a possibilidade de mudar de idéia. Simplesmente porque eu tenho idéias (próprias) pra mudar.
Agora, deêm-me licença que eu preciso ver a quantas andam os preparativos pra próxima temporada de um seriado qualquer. Por favor, não digam nada ao García Marquez que eu estou lendo, que ele pode se chatear.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Era pra ser sério
Só pra constar: no mesmo jornal, uma outra notícia tão repugnante quanto, mas com um quê de palhaçada. Lá pelos anos 40, Segunda Guerra, o Pentágono chegou a cogitar a possibilidade de uma "bomba gay". ahahahhahahahaha É serio. Diziam aqueles afamados militares que estando os "inimigos" sob o efeito da bomba, eles estariam mais preocupados em fazer amor do que em fazer guerra.
Nem precisa enumerar quantas são as imbecilidades e preconceitos só nessa proposta.
Enfim, um pouco de graça em cima da análise cai bem....
Nem precisa enumerar quantas são as imbecilidades e preconceitos só nessa proposta.
Enfim, um pouco de graça em cima da análise cai bem....
Momento de Sobriedade
Lá pelo dia14 de junho, eu acho, li uma matéria no O Povo que conseguiu me tirar do sério. Isso não é muito difícil de acontecer, mas... Um pessoal aí querendo instaurar a Lei Seca aqui em Fortaleza. É isso mesmo, caro amigo apreciador de bebidas etílicas. Como se não bastasse todas as cretinices que essa corja de imbecis faz todo dia, eles ainda querem estipular de que horas a que horas eu posso pegar meu suado dinheirinho e "jogar fora" em garrafas e garrafas de cerveja. Sim, eu só bebo cerveja. A não ser quando não tem mais jeito e vai uma velha e boa vodka.
Então. A indignação já faz parte de mim, todos sabem. E não vou entrar "no mérito da questão" e explicar o que pra mim são "todas as cretinices" nem vou esculachar "essa corja de imbecis". Não hoje. Fiquemos na tal Lei Seca. Sinto-me em Chicago, década de 30. Quero ver: não conseguem fazer nada com mensaleiros, cuequeiros e afins, que dirá se surgir um Al Capone. hahahahaa. Uma bosta mesmo.
A gente já sofre o pão que o diabo amassou, cuspiu e não quis mais todo profano dia. Ainda vem um espertinho, que na minha mais sincera e individual opinião, quer apenas desviar a atenção de todo mundo desse mar de corrupção fétida, dizer que essa é uma atitude que vai inibir diretamente a criminalidade e diminuir maciçamente a violência. Será?!
Eu acredito que muita desgraça acontece porque o sujeito estava encachaçado. Já vi acontecer. Mas todo dia vejo mais gente ainda a beira de um ataque de nervos (e dando vida aos ataques) porque não tem um puto pra dar de comer aos filhos. E é de gente que se mata de trabalhar que eu falo. O álcool é responsável direto pela violência, dizem os abstêmios. E eu digo que enquanto um mentecapto qualquer não bota um prego numa barra de sabão e ganha mais de 6.000 reais por mês, nada vai melhorar.
Não é nenhuma tal de "apologia" ao álcool. Tem nada a ver. Quer segurança? Educa a população. Quer segurança? Diminui a desigualdade social. Quer segurança? Oferece cultura e lazer à sociedade. Não, mas isso não! Melhor trancafiar o cidadão honesto, pagador de impostos dentro de casa. Deixa a bandidagem tomar conta logo de tudo!
Ah, eu fico aqui com meus botões... Se esse cara fosse prum bar tomar uma gelada comigo e com os meus amigos.... Saía roxo de porrada.
=D
Então. A indignação já faz parte de mim, todos sabem. E não vou entrar "no mérito da questão" e explicar o que pra mim são "todas as cretinices" nem vou esculachar "essa corja de imbecis". Não hoje. Fiquemos na tal Lei Seca. Sinto-me em Chicago, década de 30. Quero ver: não conseguem fazer nada com mensaleiros, cuequeiros e afins, que dirá se surgir um Al Capone. hahahahaa. Uma bosta mesmo.
A gente já sofre o pão que o diabo amassou, cuspiu e não quis mais todo profano dia. Ainda vem um espertinho, que na minha mais sincera e individual opinião, quer apenas desviar a atenção de todo mundo desse mar de corrupção fétida, dizer que essa é uma atitude que vai inibir diretamente a criminalidade e diminuir maciçamente a violência. Será?!
Eu acredito que muita desgraça acontece porque o sujeito estava encachaçado. Já vi acontecer. Mas todo dia vejo mais gente ainda a beira de um ataque de nervos (e dando vida aos ataques) porque não tem um puto pra dar de comer aos filhos. E é de gente que se mata de trabalhar que eu falo. O álcool é responsável direto pela violência, dizem os abstêmios. E eu digo que enquanto um mentecapto qualquer não bota um prego numa barra de sabão e ganha mais de 6.000 reais por mês, nada vai melhorar.
Não é nenhuma tal de "apologia" ao álcool. Tem nada a ver. Quer segurança? Educa a população. Quer segurança? Diminui a desigualdade social. Quer segurança? Oferece cultura e lazer à sociedade. Não, mas isso não! Melhor trancafiar o cidadão honesto, pagador de impostos dentro de casa. Deixa a bandidagem tomar conta logo de tudo!
Ah, eu fico aqui com meus botões... Se esse cara fosse prum bar tomar uma gelada comigo e com os meus amigos.... Saía roxo de porrada.
=D
terça-feira, 5 de junho de 2007
Do Poder da Amizade
Estive meio triste e ocupada esses dias, eis os motivos pelos quais não "bloguei". Ocupada porque estagiário é escravo mesmo e triste porque fiquei pensando nas coisas que perdi ao longo do tempo. Ganhei muito, mas perdi coisas importantes também. Ocasiões, oportunidades e pessoas. Principalmente pessoas. Já explico essa minha lamúria.
Lembro de um "evento" que aconteceu quando eu tinha 15 anos. Fiquei muito, muito doente. Hospital, internação, soro. Foi horrível. Sou magra, sempre fui, e nessa época perdi uns 5 quilos. Só a "grade". Estava tão triste, tão desanimada por estar afastada dos livros, das quadras, que não tinha vontade de fazer porra nenhuma. Só chorar. Parecia que aquilo nunca mais ia acabar. E é porque só durou duas semanas. Mas quando eu menos esperava, eles apareciam no hospital pra me visitar. Um contava uma piada, a outra amarrava meu cabelo, alguns riam da minha magreza e todos iam ordenar que eu melhorasse logo, porque aquele colégio não tinha a menor graça sem mim. Eu sabia que não era verdade. Mas era essa a maneira que eles encontravam de me fazer sentir melhor. E eu melhorei. Uma semana em casa, no conforto da minha casa, no seio do lar, e não tive melhora. Outra semana no hospital, na frieza do hospital, com aqueles loucos que levavam alimentos proibidos pela nutricionista pra eu matar minha vontade de comer besteira. E eu melhorei logo. Sei que os cuidados médicos foram importantes, mas eles foram fundamentais: os meus amigos. Poruqe amizade cura. Amizade pode isso e muito mais coisa. Porque amizade é recíproco. Você sente quando faz o outro sentir. Ódio pode ser de mão única. Dezprezo ou admiração também. Até amor. Mas amizade não.
Desses que me lembro como bons amigos, alguns estão muito distantes fisicamente. Por imperativos da vida, não por escolha nossa, minha ou deles. Mas o caminho ficou aberto. Porque é recíproco. Eu quero. Eles querem. E somos amigos.
A tristeza que sinto (que não deve ser confudida com nostalgia pois não é por esses amigos a quem me referi que lamento) é por todos aqueles que poderiam ter sido e não foram. Depois de uma reflexão do caralho, sei que fiz tudo aquilo que podia, expressei tudo aquilo que sentia, falei tudo aquilo que devia e não devia, fui sincera, fui inteira, fui honesta. Mas não deu. Não era de "duas mãos mãos". E assim, o trânsito não flui.
Eu sigo tentando. Não me fecho, não me tranco. Como diz uma amiga: "Eu sinto, eu acredito."
E sou feliz, com os poucos que ainda restam ao meu lado. Porque sei que também estou ao lado deles.
Mas não posso deixar de lamentar por aqueles que preferiram gravitar em torno do próprio universo. Principalmente quando leio um trecho de Vinicius que diz assim:
" Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre."
Eu vivo num casebre e ele sempre está de portas abertas. Para os amigos.
Lembro de um "evento" que aconteceu quando eu tinha 15 anos. Fiquei muito, muito doente. Hospital, internação, soro. Foi horrível. Sou magra, sempre fui, e nessa época perdi uns 5 quilos. Só a "grade". Estava tão triste, tão desanimada por estar afastada dos livros, das quadras, que não tinha vontade de fazer porra nenhuma. Só chorar. Parecia que aquilo nunca mais ia acabar. E é porque só durou duas semanas. Mas quando eu menos esperava, eles apareciam no hospital pra me visitar. Um contava uma piada, a outra amarrava meu cabelo, alguns riam da minha magreza e todos iam ordenar que eu melhorasse logo, porque aquele colégio não tinha a menor graça sem mim. Eu sabia que não era verdade. Mas era essa a maneira que eles encontravam de me fazer sentir melhor. E eu melhorei. Uma semana em casa, no conforto da minha casa, no seio do lar, e não tive melhora. Outra semana no hospital, na frieza do hospital, com aqueles loucos que levavam alimentos proibidos pela nutricionista pra eu matar minha vontade de comer besteira. E eu melhorei logo. Sei que os cuidados médicos foram importantes, mas eles foram fundamentais: os meus amigos. Poruqe amizade cura. Amizade pode isso e muito mais coisa. Porque amizade é recíproco. Você sente quando faz o outro sentir. Ódio pode ser de mão única. Dezprezo ou admiração também. Até amor. Mas amizade não.
Desses que me lembro como bons amigos, alguns estão muito distantes fisicamente. Por imperativos da vida, não por escolha nossa, minha ou deles. Mas o caminho ficou aberto. Porque é recíproco. Eu quero. Eles querem. E somos amigos.
A tristeza que sinto (que não deve ser confudida com nostalgia pois não é por esses amigos a quem me referi que lamento) é por todos aqueles que poderiam ter sido e não foram. Depois de uma reflexão do caralho, sei que fiz tudo aquilo que podia, expressei tudo aquilo que sentia, falei tudo aquilo que devia e não devia, fui sincera, fui inteira, fui honesta. Mas não deu. Não era de "duas mãos mãos". E assim, o trânsito não flui.
Eu sigo tentando. Não me fecho, não me tranco. Como diz uma amiga: "Eu sinto, eu acredito."
E sou feliz, com os poucos que ainda restam ao meu lado. Porque sei que também estou ao lado deles.
Mas não posso deixar de lamentar por aqueles que preferiram gravitar em torno do próprio universo. Principalmente quando leio um trecho de Vinicius que diz assim:
" Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre."
Eu vivo num casebre e ele sempre está de portas abertas. Para os amigos.
domingo, 27 de maio de 2007
Da inutilidade do *
Essa semana reli uma entrevista do Paulo César Pereio, que ele concedeu à revista Playboy, acho que no ano passado. Na edição seguinte, na seção destinada às cartas do leitor, um destes reclamava da infinidade de * suprimindo o final de determinadas palavras; isso para o citado leitor era extremamente desnecessário. Para mim, além de desnecessário, é hipócrita, falso. A revista é destinada a um público adulto. Tudo bem, sabemos que muitos adolescentes lêem a revista, mas o fato é que não é pra esse público que a revista é cuidadosamente pensada e feita. Muitas mulheres lêem a revista, gostam das matérias, das entrevistas e (por quê não?) das belas moças que posam para a revista. Nem por isso eles convidam o Gianecchinni pra sair na nu. Não é o público deles.
Certo, o *. Então por que colocar * no fim de merda? merd*? Credo! A justificativa da publicação: "Merd* é palavrão, chupar e pau não é." Engraçado que no dicionário merda e pau, antes do significado, vêm com a explicação (Chulo). A diferença é que pau vem lá na oitava definição. Merda vem na primeira.
Não dá, sinceramente pra entender. Entender nem aceitar.
Quando convidaram o cara pra entrevista sabiam quem ele era, lógico. Conheciam sua língua afiada, sabiam que ele não tem "papas na língua." Faz parte da personalidade, do jeito dele, esse vocabulário. Não havia necessidade de tanto *. Ao contrário, os "palavrões" na entrevista dele são mais que necessários.
Ah! mas é uma questão de respeito aos leitores. "Chupar meu pau" não afronta, não é desrespeitoso. Agora, merda.... Sério?! Inclusive nas próximas edições vão colocar uma tarja preta na perseguida das "modelos". Porque mostrar pode, agora escrever? Jamais. Olha o nível!
A Folha, publicação respeitada no país todo, não hesitou em colocar no site:
"'Aquele programa de merda que as quatro fazem...', manda ao ar, enquanto tenta lembrar o nome do programa. 'Quatro mulheres chatas...', tenta ganhar tempo ainda com a sua falta de jeito para o padrão 'talk show'."
E ainda:
"Pereio não é cult e celebrado por acaso. São peças a perder a conta, como diz, e 60 filmes. O seu 'porra' é um clássico de final de frase nos diálogos. Na sua comunidade no Orkut, os admiradores também falam assim. A cada final de período, tacam lá a velha exclamação, 'porra!'."
É, esse "compromisso" com os leitores e com a inteligência das pessoas me assusta.
Digam-me, quem é a criatura alfabetizada, nascida ou criada nesse país, que ao ler um negócio tipo bucet* não saiba o que é? É natural, a pessoa já lê BUCETA.
Mas, tudo bem. Eles não publicam, a gente lê o palavrão completo do mesmo jeito.
E qualquer coisa, em português mesmo, tem uma boa resposta pra isso aí:
Vão pra puta que pariu! (Eu não disse quem!)
Porque pode parir qualquer coisa, menos o palavrão.
(E nem adianta chamar meu blog de "qualquer coisa".)
Certo, o *. Então por que colocar * no fim de merda? merd*? Credo! A justificativa da publicação: "Merd* é palavrão, chupar e pau não é." Engraçado que no dicionário merda e pau, antes do significado, vêm com a explicação (Chulo). A diferença é que pau vem lá na oitava definição. Merda vem na primeira.
Não dá, sinceramente pra entender. Entender nem aceitar.
Quando convidaram o cara pra entrevista sabiam quem ele era, lógico. Conheciam sua língua afiada, sabiam que ele não tem "papas na língua." Faz parte da personalidade, do jeito dele, esse vocabulário. Não havia necessidade de tanto *. Ao contrário, os "palavrões" na entrevista dele são mais que necessários.
Ah! mas é uma questão de respeito aos leitores. "Chupar meu pau" não afronta, não é desrespeitoso. Agora, merda.... Sério?! Inclusive nas próximas edições vão colocar uma tarja preta na perseguida das "modelos". Porque mostrar pode, agora escrever? Jamais. Olha o nível!
A Folha, publicação respeitada no país todo, não hesitou em colocar no site:
"'Aquele programa de merda que as quatro fazem...', manda ao ar, enquanto tenta lembrar o nome do programa. 'Quatro mulheres chatas...', tenta ganhar tempo ainda com a sua falta de jeito para o padrão 'talk show'."
E ainda:
"Pereio não é cult e celebrado por acaso. São peças a perder a conta, como diz, e 60 filmes. O seu 'porra' é um clássico de final de frase nos diálogos. Na sua comunidade no Orkut, os admiradores também falam assim. A cada final de período, tacam lá a velha exclamação, 'porra!'."
É, esse "compromisso" com os leitores e com a inteligência das pessoas me assusta.
Digam-me, quem é a criatura alfabetizada, nascida ou criada nesse país, que ao ler um negócio tipo bucet* não saiba o que é? É natural, a pessoa já lê BUCETA.
Mas, tudo bem. Eles não publicam, a gente lê o palavrão completo do mesmo jeito.
E qualquer coisa, em português mesmo, tem uma boa resposta pra isso aí:
Vão pra puta que pariu! (Eu não disse quem!)
Porque pode parir qualquer coisa, menos o palavrão.
(E nem adianta chamar meu blog de "qualquer coisa".)
quarta-feira, 23 de maio de 2007
O superego de Beatrix Kiddo
Havia pelo menos cinqüenta pessoas na fila. Pensão desgraçada que eu só podia receber ali, naquele banco destinado ao pagamento de aposentados e pensionistas. Maldita procuração que me autorizava a sacar um dinheiro que nem meu era. Timidez estúpida que me impediu de negar um favor que eu nunca teria a intenção de fazer.
"Unm? Claro, minha sogra. A senhora já está cansada. Não precisa mais passar por isso. Pode deixar."
E assim foi. Ela viaja, vai pro bingo, toma cervejinha no bar, adora visitar as amigas que moram longe. Às vezes, até dorme fora, vejam só!
Eu? Trabalho pra burro, tenho um dia mais cacete que o outro, cuido de casa e de menino. E todo dia 15 compareço na sucursal do inferno, aquela agência.
No banco é onde a minha "bondade" mostra seu extremo. Eu aguento e aguento calada. Nunca consigo dizer um não, negar um pedido, ou simplesmente dizer o que realmente sinto. Uma trouxa. Já perdi as contas de quantas vezes me passaram a perna, me enganaram. Passam meu lugar, sentam na minha cadeira, bagunçam minha mesa. Fila? Sempre sou a última. Minha cara de cachorro abandonado nunca fica ameaçadora.
"Moça, por favor, meu filho tá em casa, sozinho. Posso passar na sua frente?"
"Ahn?! calro, tudo bem". E o meu filho acaba ficando sozinho.
" A senhora se incomoda d'eu ser atendido logo? É que o Curintcha vai jogar, sabe?" Não, não sei. Mas deixo. E eu perco o último capítulo da novela.
Esse mês resolvi pôr um fim nessa palhaçada. De onde tirei coragem, ainda não descobri. Mas resolvi. Mentalizei uma personalidade forte, escrevi 2.353 vezes: "Eu não sou boa.", fiz simpatia. Ninguém me engana dessa vez. Ensaiei na frente do espelho, fiz cara de malvada e tentei falar alto - quando não havia ninguém em casa e com o aparelho de som ligado, claro.
Enfim, chegou o dia 15.
Dirigi-me ao banco e lá estavam as cinqüenta pessoas na fila. Fiquei no meu lugar, aguardando minha vez. Nada de furar. estava decidida a ser firme e não mal-educada. Franzi a testa, adotei uma postura ereta (sou um pouco curvada, naturalmente), fechei a cara e a boca (meus dentes são levemente inclinados pra frente, daí um certo esforço para os lábios ficarem juntos) para reforçar o aspecto de mau.
Acontece que todo esse esforço foi me deixando tesa. Quanto mais me aproximava do guichê, mais sentia meu corpo petrificado. Acredito que já estava há muito tempo de pé, pois olhei para trás e vi que a fila agora já estava com o dobro do tamanho de quando eu entrei. Minha respiração saía difícil por causa da postura. Minha cabeça doía.
Mas fi resistindo, faltavam apenas três pessoas; a respiração já não saía, o rosto travado, a boca não abria de jeito nenhum. Meus olhos estavam esbugalhados, fixos, de tanto que eu evitei o olhar dos outros. Não conseguia me mexer, as pernas não obedeciam mais. Fiquei tonta.
A mulher em pé atrás de mim percebeu e me pegou pelo braço.
"A senhora está passando bem? A senhora... Meu Deus, a mulher tá passando meu! Chega! Alguém acode. Chegue, vamos sentar ali.
"Minha senhora, que você tá sentindo? Diga alguma coisa, pelamordedeus."
Mas eu não dizia nada. A boca travada.
Começou o alvoroço. Levaram-me pra sentar lá por dentro da agência, chamaram até um médico.
" Está tudo bem. Ela só está um pouco catatônica."
O rebuliço havia cessado mas alguns curiosos insistiam em dar mais uma olhadinha na atração. Um deles falou: "Coitada, uma mulher doente desse jeito. Devia assinar uma procuração e mandar alguém pegar o dinheiro no lugar dela."
"Anh?!" soltei um risinho de desprezo. Desprezo por mim mesma.
Resignei-me, voltei ao fim da fila e aguardei pacientemente meu atendimento.
"Coitada, uma mulher doente desse jeito. Devia assinar uma procuração e mandar alguém pegar o dinheiro no lugar dela."
Trouxa, é só isso que eu consigo ser.
"Unm? Claro, minha sogra. A senhora já está cansada. Não precisa mais passar por isso. Pode deixar."
E assim foi. Ela viaja, vai pro bingo, toma cervejinha no bar, adora visitar as amigas que moram longe. Às vezes, até dorme fora, vejam só!
Eu? Trabalho pra burro, tenho um dia mais cacete que o outro, cuido de casa e de menino. E todo dia 15 compareço na sucursal do inferno, aquela agência.
No banco é onde a minha "bondade" mostra seu extremo. Eu aguento e aguento calada. Nunca consigo dizer um não, negar um pedido, ou simplesmente dizer o que realmente sinto. Uma trouxa. Já perdi as contas de quantas vezes me passaram a perna, me enganaram. Passam meu lugar, sentam na minha cadeira, bagunçam minha mesa. Fila? Sempre sou a última. Minha cara de cachorro abandonado nunca fica ameaçadora.
"Moça, por favor, meu filho tá em casa, sozinho. Posso passar na sua frente?"
"Ahn?! calro, tudo bem". E o meu filho acaba ficando sozinho.
" A senhora se incomoda d'eu ser atendido logo? É que o Curintcha vai jogar, sabe?" Não, não sei. Mas deixo. E eu perco o último capítulo da novela.
Esse mês resolvi pôr um fim nessa palhaçada. De onde tirei coragem, ainda não descobri. Mas resolvi. Mentalizei uma personalidade forte, escrevi 2.353 vezes: "Eu não sou boa.", fiz simpatia. Ninguém me engana dessa vez. Ensaiei na frente do espelho, fiz cara de malvada e tentei falar alto - quando não havia ninguém em casa e com o aparelho de som ligado, claro.
Enfim, chegou o dia 15.
Dirigi-me ao banco e lá estavam as cinqüenta pessoas na fila. Fiquei no meu lugar, aguardando minha vez. Nada de furar. estava decidida a ser firme e não mal-educada. Franzi a testa, adotei uma postura ereta (sou um pouco curvada, naturalmente), fechei a cara e a boca (meus dentes são levemente inclinados pra frente, daí um certo esforço para os lábios ficarem juntos) para reforçar o aspecto de mau.
Acontece que todo esse esforço foi me deixando tesa. Quanto mais me aproximava do guichê, mais sentia meu corpo petrificado. Acredito que já estava há muito tempo de pé, pois olhei para trás e vi que a fila agora já estava com o dobro do tamanho de quando eu entrei. Minha respiração saía difícil por causa da postura. Minha cabeça doía.
Mas fi resistindo, faltavam apenas três pessoas; a respiração já não saía, o rosto travado, a boca não abria de jeito nenhum. Meus olhos estavam esbugalhados, fixos, de tanto que eu evitei o olhar dos outros. Não conseguia me mexer, as pernas não obedeciam mais. Fiquei tonta.
A mulher em pé atrás de mim percebeu e me pegou pelo braço.
"A senhora está passando bem? A senhora... Meu Deus, a mulher tá passando meu! Chega! Alguém acode. Chegue, vamos sentar ali.
"Minha senhora, que você tá sentindo? Diga alguma coisa, pelamordedeus."
Mas eu não dizia nada. A boca travada.
Começou o alvoroço. Levaram-me pra sentar lá por dentro da agência, chamaram até um médico.
" Está tudo bem. Ela só está um pouco catatônica."
O rebuliço havia cessado mas alguns curiosos insistiam em dar mais uma olhadinha na atração. Um deles falou: "Coitada, uma mulher doente desse jeito. Devia assinar uma procuração e mandar alguém pegar o dinheiro no lugar dela."
"Anh?!" soltei um risinho de desprezo. Desprezo por mim mesma.
Resignei-me, voltei ao fim da fila e aguardei pacientemente meu atendimento.
"Coitada, uma mulher doente desse jeito. Devia assinar uma procuração e mandar alguém pegar o dinheiro no lugar dela."
Trouxa, é só isso que eu consigo ser.
terça-feira, 22 de maio de 2007
074
Aproximadamente sete horas da manhã.
No mundo ideal, nenhuma criatura deveria estar acordada àquela hora. Mas eu estou, quase todos os dias. E naquele lugar.
Estranhos se apertam, se acotovelam, não trocam um cumprimento sequer. E não se pode ser muito educado lá dentro. Às vezes, muita educação define como será o nosso amanhã. Olham-se como se quisessem matar uns aos outros. E trucidam-se em pensamento. Quando consigo olhar um estranho íntimo daqueles sem que ele perceba, sinto-me embaraçada. Apesar do nosso convívio cotidiano, não me sinto à vontade para estender os laços. Só fico pensando quando me verei livre dele, e acredito que ao me olhar ele pense a mesma coisa. Quanto tempo ainda falta para nos suportamos ali...
O calor é insuportável. O humano e o ambiente. Cheiros os mais variados mesclam-se e fica quase impossível distingui-los. Não sei quem não tomou banho no dia anterior, quem não escovou os dentes ou quem está usando o desodorante errado. Mas não cheira nada bem aquele lugar. Mesmo se eu derramasse litros de perfume em mim todas as manhãs, ainda acharia aquilo insuportável. O problema é mesmo o lugar.
Queria saber que erro cometi para pagar dessa maneira. Pena desgraçada. Tento me concentrar. Fecho os olhos, viajo no tempo e chego à época da minha infância, quando tudo era bom e a dor de uma palmada logo passava, para dar lugar à próxima. Mas, hoje? Todo dia, sempre a mesma coisa. E não passa nunca. Olho para os lados e vejo outros na mesma situação que eu e meus companheiros. Quando chegar a sua hora, pra onde será que irão? Em que pensam eles?
Talvez no mesmo que eu. Na hora do fim de tudo aquilo, de todo aquele aperto e violência.
Aí é que entra a pior parte. Depois de todo esse martírio dentro do coletivo, chega a hora de descer e dirigir-se correndo ao trabalho para não perder a hora de bater o ponto. Miseráveis!
Começa o segundo round.
No mundo ideal, nenhuma criatura deveria estar acordada àquela hora. Mas eu estou, quase todos os dias. E naquele lugar.
Estranhos se apertam, se acotovelam, não trocam um cumprimento sequer. E não se pode ser muito educado lá dentro. Às vezes, muita educação define como será o nosso amanhã. Olham-se como se quisessem matar uns aos outros. E trucidam-se em pensamento. Quando consigo olhar um estranho íntimo daqueles sem que ele perceba, sinto-me embaraçada. Apesar do nosso convívio cotidiano, não me sinto à vontade para estender os laços. Só fico pensando quando me verei livre dele, e acredito que ao me olhar ele pense a mesma coisa. Quanto tempo ainda falta para nos suportamos ali...
O calor é insuportável. O humano e o ambiente. Cheiros os mais variados mesclam-se e fica quase impossível distingui-los. Não sei quem não tomou banho no dia anterior, quem não escovou os dentes ou quem está usando o desodorante errado. Mas não cheira nada bem aquele lugar. Mesmo se eu derramasse litros de perfume em mim todas as manhãs, ainda acharia aquilo insuportável. O problema é mesmo o lugar.
Queria saber que erro cometi para pagar dessa maneira. Pena desgraçada. Tento me concentrar. Fecho os olhos, viajo no tempo e chego à época da minha infância, quando tudo era bom e a dor de uma palmada logo passava, para dar lugar à próxima. Mas, hoje? Todo dia, sempre a mesma coisa. E não passa nunca. Olho para os lados e vejo outros na mesma situação que eu e meus companheiros. Quando chegar a sua hora, pra onde será que irão? Em que pensam eles?
Talvez no mesmo que eu. Na hora do fim de tudo aquilo, de todo aquele aperto e violência.
Aí é que entra a pior parte. Depois de todo esse martírio dentro do coletivo, chega a hora de descer e dirigir-se correndo ao trabalho para não perder a hora de bater o ponto. Miseráveis!
Começa o segundo round.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Prólogo da criação
Não é o primeiro blog que eu faço. Comecei outro, há um tempo atrás. Não deu certo. Um imperativo fez com que eu o deixasse de lado: a preguiça. Nem me dei ao trabalho de procurá-lo antes de parir esse, esqueci senha, login e também ia dar um trabalho danado. Fiquei com preguiça. De novo.
Mas esse é diferente. Herculeamente encorajada pela Belle, dei continuidade ao propósito de compartilhar minha verborragia desenfreada e descontrolada. Provavelmente não estarão aqui belos textos bem escritos, histórinhas confessionais românticas ou tecituras super criativas e engraçadas. Não sou boa escritora, criativa ou engraçada; não sei ser e nem tento.
O mais certo é que aqui seja um "lugar" pra compartilhar - com quer se der o trabalho de ler- disparates. Desses que acontecem com todo mundo, que qualquer um faz, diz ou deseja que aconteça. E como quase tudo que acontece nessa nossa vida começa ou termina num disparate, quase tudo será bem-vindo. Mas não é só isso. Nem tudo isso. Esse blogescroque é só o começo.
Enjoy us!
Mas esse é diferente. Herculeamente encorajada pela Belle, dei continuidade ao propósito de compartilhar minha verborragia desenfreada e descontrolada. Provavelmente não estarão aqui belos textos bem escritos, histórinhas confessionais românticas ou tecituras super criativas e engraçadas. Não sou boa escritora, criativa ou engraçada; não sei ser e nem tento.
O mais certo é que aqui seja um "lugar" pra compartilhar - com quer se der o trabalho de ler- disparates. Desses que acontecem com todo mundo, que qualquer um faz, diz ou deseja que aconteça. E como quase tudo que acontece nessa nossa vida começa ou termina num disparate, quase tudo será bem-vindo. Mas não é só isso. Nem tudo isso. Esse blogescroque é só o começo.
Enjoy us!
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