terça-feira, 5 de junho de 2007

Do Poder da Amizade

Estive meio triste e ocupada esses dias, eis os motivos pelos quais não "bloguei". Ocupada porque estagiário é escravo mesmo e triste porque fiquei pensando nas coisas que perdi ao longo do tempo. Ganhei muito, mas perdi coisas importantes também. Ocasiões, oportunidades e pessoas. Principalmente pessoas. Já explico essa minha lamúria.

Lembro de um "evento" que aconteceu quando eu tinha 15 anos. Fiquei muito, muito doente. Hospital, internação, soro. Foi horrível. Sou magra, sempre fui, e nessa época perdi uns 5 quilos. Só a "grade". Estava tão triste, tão desanimada por estar afastada dos livros, das quadras, que não tinha vontade de fazer porra nenhuma. Só chorar. Parecia que aquilo nunca mais ia acabar. E é porque só durou duas semanas. Mas quando eu menos esperava, eles apareciam no hospital pra me visitar. Um contava uma piada, a outra amarrava meu cabelo, alguns riam da minha magreza e todos iam ordenar que eu melhorasse logo, porque aquele colégio não tinha a menor graça sem mim. Eu sabia que não era verdade. Mas era essa a maneira que eles encontravam de me fazer sentir melhor. E eu melhorei. Uma semana em casa, no conforto da minha casa, no seio do lar, e não tive melhora. Outra semana no hospital, na frieza do hospital, com aqueles loucos que levavam alimentos proibidos pela nutricionista pra eu matar minha vontade de comer besteira. E eu melhorei logo. Sei que os cuidados médicos foram importantes, mas eles foram fundamentais: os meus amigos. Poruqe amizade cura. Amizade pode isso e muito mais coisa. Porque amizade é recíproco. Você sente quando faz o outro sentir. Ódio pode ser de mão única. Dezprezo ou admiração também. Até amor. Mas amizade não.

Desses que me lembro como bons amigos, alguns estão muito distantes fisicamente. Por imperativos da vida, não por escolha nossa, minha ou deles. Mas o caminho ficou aberto. Porque é recíproco. Eu quero. Eles querem. E somos amigos.

A tristeza que sinto (que não deve ser confudida com nostalgia pois não é por esses amigos a quem me referi que lamento) é por todos aqueles que poderiam ter sido e não foram. Depois de uma reflexão do caralho, sei que fiz tudo aquilo que podia, expressei tudo aquilo que sentia, falei tudo aquilo que devia e não devia, fui sincera, fui inteira, fui honesta. Mas não deu. Não era de "duas mãos mãos". E assim, o trânsito não flui.

Eu sigo tentando. Não me fecho, não me tranco. Como diz uma amiga: "Eu sinto, eu acredito."
E sou feliz, com os poucos que ainda restam ao meu lado. Porque sei que também estou ao lado deles.

Mas não posso deixar de lamentar por aqueles que preferiram gravitar em torno do próprio universo. Principalmente quando leio um trecho de Vinicius que diz assim:

" Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre."

Eu vivo num casebre e ele sempre está de portas abertas. Para os amigos.

5 comentários:

Belle disse...

porra, cunhada! quase caiu uma lagriminha...

Anônimo disse...

Puta que pariu, Tati, tu me fez chorar... tá, eu sei, parece coisa de emo. Que seja. Tô chorando e pronto. Ai que lindo, ai que norro... Tenho vivenciado algumas coisas ultimamente que me fizeram valorizar ainda mais o poder da amizade verdadeira na minha vida, sabe? Aconteça o que acontecer, NADA é mais importante nessa vida do que os amigos, todos eles, cada um com um jeito de demonstrar carinho. Mas não é de qualquer amigo que eu falo. Não aquele que faz volume no orkut ou enche sua lista do msn. Mas sim aquele que chora quando se despede de vc, que sabe a hora que vc tá precisando de um brinde ou de um abraço, que faz propaganda de vc pra todo mundo, que pede pra dar uma mordida no seu dedo como se vc fosse o bebê da Naturágua, que não tem vergonha de dizer que ama, aquele que se pudesse não esperava o aniversário pra te dar aquela presente, que levam sua opinião em conta, que sentem saudade. Não precisa ser aquele que te liga toda hora ou mora perto, mas salva seu dia quando manda um torpedo (sincero, pelo amor de Deus) num domingo chuvoso. Agradeço todos os dias pq eu tenho amigos. Este é o verdadeiro milagre da vida. E não se preocupe, Tati, se vc olhar pra trás um dia e perceber que fez pelo menos um amigo desse tipo, vc foi feliz. Se for para eles permacerem ao seu lado, pode ter certeza de que permanecerão. Vc está certa quando diz que amizade é reciprocidade. Ouvi outro dia essa frase: "A amizade é um amor que não acaba nunca". E é mesmo.

Anônimo disse...

Esqueci de dizer que a frase é do Mário Quintana...

Belle disse...

Essa minha metade é o melhor amigo que alguém pode querer!

Anônimo disse...

quase caiu lagriminha tbm! porra, filipe, é tudo isso ai.