quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A lei é dura, mas às vezes nem é lei

Tenho um professor que além de dar aulas de português é advogado. Umas duas ou três vezes ele manifestou sua insatisfação com o sistema de cotas nas universidades. Perguntado sobre isso, ele afirmou que não era uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas. Justificou-se com o argumento de que esta diferenciação dos cidadãos feria a lei, que garantia igualdade de direitos. Está lá na Constituição, documento máximo do País - disse ele. Concordo. Duas leis contraditórias não podem coexistir. Não entendo quase nada de Direito, mas aprendi o suficiente pra saber que todos são "iguais perante a lei." E concordo com ele duas vezes, quando ele afirma que não é "uma questão de gostar ou não, concordar ou não com o tal sistema de cotas". É a lei e pronto.
Mas como nunca estou satisfeita e a primeira pergunta sempre é uma introdução daquilo que realmente quero saber, questionei-o sobre o que ele achava dos juízes que não eram julgados por seus crimes, a partir do princípio da isonomia. Mas uma vez, meu interlocutor foi enfático, direto e firme em sua resposta. 1. Minha pergunta foi mal formulada: Não são os juízes que têm tratamento diferenciado, é o cargo. (?). O foro privilegiado é direito de quem exerce a função de juiz (parlamentares, também, entre outros sacanas.) Eu só quero saber se quem ocupa a porra desse cargo e veste aquela toga não é, antes disso, um cidadão. E sendo um cidadão, deveria responder por seus atos criminosos como qualquer outro. Aliás, deveria ter menos atenuante, pois sendo conhecedor das leis, sabia perfeitamente em que crime estava incorrendo. Isso sim é justo. Numa sociedade civilizada, se uma pessoa tem profundo conhecimento sobre arte marcias, envolve-se numa briga e acaba matando outra pessoa com um golpe que o agressor sabia ser letal, a justiça é implacável. O mesmo acontece com um médico que vai operar sob efeito de drogas e causa a morte do paciente.
Por que ainda existe o foro privilegiado nesse país? Simples. Quem tem mais bala na agulha para promover uma mudança radical nas leis? Sei, os cidadãos, claro. Será?

4 comentários:

Belle disse...

Disse tudo: "Numa sociedade civilizada, se uma pessoa tem profundo conhecimento sobre arte marcias, envolve-se numa briga e acaba matando outra pessoa com um golpe que o agressor sabia ser letal, a justiça é implacável. O mesmo acontece com um médico que vai operar sob efeito de drogas e causa a morte do paciente." Quem disse que a gente vive numa sociedade civilizada?

Belle disse...

num vai mais atualizar essa bodega, não, hein, bicha?! :-P

Belle disse...

"num vai mais atualizar essa bodega, não, hein, bicha?! :-P" ²

Jandira disse...

Sabe, solidão profunda, aquela sensação de que ninguém é capaz de compreender o que vc sente no momneto? Pois é... procurei a pessoa que mais me parecia capaz de me entender.... Só um desabafo besta que depois passa!

Beijo!