Essa semana reli uma entrevista do Paulo César Pereio, que ele concedeu à revista Playboy, acho que no ano passado. Na edição seguinte, na seção destinada às cartas do leitor, um destes reclamava da infinidade de * suprimindo o final de determinadas palavras; isso para o citado leitor era extremamente desnecessário. Para mim, além de desnecessário, é hipócrita, falso. A revista é destinada a um público adulto. Tudo bem, sabemos que muitos adolescentes lêem a revista, mas o fato é que não é pra esse público que a revista é cuidadosamente pensada e feita. Muitas mulheres lêem a revista, gostam das matérias, das entrevistas e (por quê não?) das belas moças que posam para a revista. Nem por isso eles convidam o Gianecchinni pra sair na nu. Não é o público deles.
Certo, o *. Então por que colocar * no fim de merda? merd*? Credo! A justificativa da publicação: "Merd* é palavrão, chupar e pau não é." Engraçado que no dicionário merda e pau, antes do significado, vêm com a explicação (Chulo). A diferença é que pau vem lá na oitava definição. Merda vem na primeira.
Não dá, sinceramente pra entender. Entender nem aceitar.
Quando convidaram o cara pra entrevista sabiam quem ele era, lógico. Conheciam sua língua afiada, sabiam que ele não tem "papas na língua." Faz parte da personalidade, do jeito dele, esse vocabulário. Não havia necessidade de tanto *. Ao contrário, os "palavrões" na entrevista dele são mais que necessários.
Ah! mas é uma questão de respeito aos leitores. "Chupar meu pau" não afronta, não é desrespeitoso. Agora, merda.... Sério?! Inclusive nas próximas edições vão colocar uma tarja preta na perseguida das "modelos". Porque mostrar pode, agora escrever? Jamais. Olha o nível!
A Folha, publicação respeitada no país todo, não hesitou em colocar no site:
"'Aquele programa de merda que as quatro fazem...', manda ao ar, enquanto tenta lembrar o nome do programa. 'Quatro mulheres chatas...', tenta ganhar tempo ainda com a sua falta de jeito para o padrão 'talk show'."
E ainda:
"Pereio não é cult e celebrado por acaso. São peças a perder a conta, como diz, e 60 filmes. O seu 'porra' é um clássico de final de frase nos diálogos. Na sua comunidade no Orkut, os admiradores também falam assim. A cada final de período, tacam lá a velha exclamação, 'porra!'."
É, esse "compromisso" com os leitores e com a inteligência das pessoas me assusta.
Digam-me, quem é a criatura alfabetizada, nascida ou criada nesse país, que ao ler um negócio tipo bucet* não saiba o que é? É natural, a pessoa já lê BUCETA.
Mas, tudo bem. Eles não publicam, a gente lê o palavrão completo do mesmo jeito.
E qualquer coisa, em português mesmo, tem uma boa resposta pra isso aí:
Vão pra puta que pariu! (Eu não disse quem!)
Porque pode parir qualquer coisa, menos o palavrão.
(E nem adianta chamar meu blog de "qualquer coisa".)
domingo, 27 de maio de 2007
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4 comentários:
Ieeei! :)
E tu já notou que os palavrões dos filmes brasileiros são tão bem falados, assim como se fala "m-a-n-h-ã", com todas as letras pronunciadasm que chega a ficar MUITO artificial? Quem é que fala palavrão artificialmente? Sai na hora e do jeito que for, foi! Ora caralho! :p
é a hipocrisia, fia... sempre a postos!
Cara, falei disso um dia desses!!!
HIPOCRISIA!!!!
Adorei tuas palavras! Se tu é uma pessoa que nunca vai escrever do tanto que fala (que nem euzinha aqui), eu serei uma pessoa que lerá tuas palavras com o mesmo entusiasmo que as escuto quando tu fala!!!!
Bjos!!! K. (sabe quem é??? hehehe)
KKKKKK!! Essa gatinha tem talento! Tow com muita saudade! Belo post! "POORRAA" (só pra registrar) =]
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